Chanceler espanhol afirma que discurso de Puigdemont "foi uma armadilha"

Paris, 11 out (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Espanha, Alfonso Dastis, considerou nesta quarta-feira que o discurso feito ontem pelo presidente catalão, Carles Puigdemont, foi uma armadilha "para dizer uma coisa e a contrária", e reiterou que o Executivo está disposto a falar no marco da Constituição.

Segundo disse Dastis em entrevista para a emissora francesa "Europe 1", Puigdemont "assume que tem o direito a independência após o resultado desse suposto referendo e depois pede ao Parlamento suspender os efeitos dessa declaração. Depois vemos que assinaram algo. Não houve decisão do Parlamento. Francamente, é algo incompreensível".

O Governo espanhol, destacou, "sempre disse que estamos dispostos a dialogar e negociar", "mas dentro da Constituição e com os meios oferecidos pelo nosso Estado de direito".

"São eles quem não querem. Só querem falar da realização de um referendo na Catalunha que não é permitido pela Constituição".

Para fazer essa consulta, segundo Dastis, a Constituição deveria ser reformada: "É algo que se poderia fazer, mas seguindo os procedimentos da Magna Carta, e em todo caso não podemos aceitar que uma parte dos catalães decida pelo todo, que é a Espanha. Não poderíamos fazer um referendo exclusivamente para os catalães".

O ministro espanhol defendeu que o governo "atuou de forma responsável, proporcionada e comedida, e continuará assim": "Sempre teve uma atitude de fazer respeitar o Estado de direito com os meios oferecidos pela lei".

Dastis também considerou que Puigdemont "segue fazendo o que sempre fez, avançar por um caminho que leva a situações que não queremos ver para a Catalunha", disse, sobre a possibilidade que possa resultar em "confrontos econômicos e sociais".

O ministro se pronunciou no dia seguinte após o presidente catalão afirmar que assume o "mandato do povo" para que "a Catalunha se transforme em um estado independente em forma de república", mas propôs "suspender os efeitos da declaração de independência" para abrir a porta do diálogo.

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