Líder catalão diz à "CNN" que está pronto para diálogo, mas "sem condições"

Washington, 11 out (EFE).- O presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, se mostrou disposto nesta quarta-feira a iniciar um diálogo, "sem condições prévias", com as autoridades da Espanha para tentar aproximar posições sobre a região autônoma, conforme ele mesmo declarou à emissora "CNN".

"Estamos em um ponto no qual o mais importante é que não existam condições prévias para iniciar o diálogo, aceitar que temos que dialogar nas condições adequadas", disse Puigdemont em uma entrevista à emissora americana, um dia depois de declarar a independência da Catalunha e suspendê-la logo em seguida.

O presidente do governo catalão opinou que a "relação entre Espanha e Catalunha não funciona" e, por isso, defendeu a realização de um diálogo entre representantes de ambas as instituições para tentar aproximar as posições.

"Talvez, poderia ajudar o diálogo se duas pessoas em representação do governo espanhol, e outras duas em representação do governo catalão, pudessem entrar em acordo em uma única coisa, como, por exemplo, a nomeação de um mediador", declarou o político independentista.

Sobre a mensagem enviada ontem no parlamento autônomo, na qual utilizou uma possível declaração de independência definitiva como alavanca para forçar negociações com o Estado espanhol, Puigdemont afirmou que sua intenção era "mandar uma mensagem de calma" e lembrar às pessoas que a região está enfrentando "um problema político", que precisa ser resolvido "com política e não com polícia".

Neste momento, a Justiça espanhola estuda se há motivos jurídicos para processar o líder catalão por ele ter incorrido em um possível crime de separação, o que seria um "erro", segundo o dirigente catalão.

"A minha prisão seria injustificada e um erro. Este não é o momento de mandar à prisão pessoas com as quais há discrepâncias políticas", considerou o chefe do Executivo catalão.

Apesar de cerca de 2 milhões de pessoas, de um total de 5 milhões, terem votado no referendo de 1º de outubro, considerado ilegal por Madri, segundo dados do governo regional da Catalunha, o governante regional não hesitou em afirmar mais uma vez que tem o apoio da maioria do povo.

"Há uma maioria de catalães que quer transformar a Catalunha um Estado independente. E querem fazê-lo em acordo com o Estado espanhol, mas isto deve ser feito sem condições", opinou Puigdemont.

O governo espanhol vai requerer hoje formalmente que o Executivo regional catalão confirme se declarou a independência da Catalunha, como passo prévio para adotar medidas que poderiam passar por assumir parte de suas competências.

Em uma declaração institucional, o presidente de governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou o requerimento depois que Puigdemont assumiu ontem "o mandato" do referendo para que essa região se torne independente, mas suspendeu os efeitos da declaração de independência para abrir um processo de diálogo.

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