ONU diz que ataques contra rohingyas eram para expulsá-los e impedir retorno

Genebra, 11 out (EFE).- Os ataques contra a minoria rohingya de Mianmar foram executados a fim não só de expulsar os habitantes de seus povoados, mas impedir seu retorno, concluiu uma equipe de direitos humanos da ONU que investigou as atrocidades ocorridas recentemente.

Esses "brutais ataques foram bem organizados, coordenados e sistemáticos", aponta o relatório preparado por essa equipe, que acrescenta que a estratégia consistia em "inocular um medo e um trauma profundo a nível físico, emocional e psicológico".

Os autores da violência contra os rohingyas, uma minoria muçulmana assentada no estado de Rakhine (oeste do país) foram as forças de segurança birmanesas que em algumas ocasiões atuava com a cumplicidade de indivíduos armados budistas da zona.

A missão da ONU recolheu esta informação entre 13 e 24 de setembro a partir de testemunhos recolhidos entre refugiados rohingyas que conseguiram chegar a Cox Bazar.

Até lá estimava-se que desde 25 de agosto - quando começou a ofensiva militar - tinham chegado ali 270 mil refugiados, um número que menos de três semanas depois passou a 590 mil, segundo os últimos dados da ONU, a principal organização que presta ajuda humanitária.

O chefe da equipe da ONU, Thomas Hunecke, descreveu à imprensa as condições desumanas nas quais vivem esses refugiados e as grandes dificuldades de verificar, nessas circunstâncias, as violações aos direitos humanos.

"Trabalhei em várias situações de conflito, mas nunca vi algo assim, tal quantidade de gente. Quando descíamos do automóvel tínhamos imediatamente centenas de pessoas a nosso redor com a esperança que levássemos alguma ajuda humanitária", narrou.

O método utilizado pelo Exército birmanês para obrigar os rohingyas a fugir indica claramente que sua vontade era eliminar qualquer possibilidade de retorno. Para isso, incendiaram aldeias inteiras, perpetraram execuções sumárias, praticaram tortura e utilizaram violência sexual.

"Eles (as forças de segurança e indivíduos budistas) rodearam nossa casa e começaram a disparar. Dispararam contra a minha irmã diante de mim, ela só tinha sete anos, eu corri, tentei protegê-la e cuidar dela, mas sangrava tanto que um dia depois morreu. Eu mesma a enterrei", relatou aos enviados da ONU uma menina de 12 anos do município de Rathedaung.

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