EUA sancionam Guarda Revolucionária do Irã por apoio ao terrorismo

Washington, 13 out (EFE).- Os Estados Unidos sancionaram nesta sexta-feira a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) por apoiar o terrorismo, uma medida que promete elevar as tensões entre os dois países, já que Teerã alertou que trataria os EUA como um "país terrorista" se houvesse punições contra essa força de elite.

"Autorizo o Departamento de Tesouro a sancionar todo o IRGC pelo apoio ao terrorismo e a aplicar sanções aos seus funcionários e filiais", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, durante um discurso na Casa Branca para revelar a estratégia política que será adotada pelo governo americano em relação ao Irã.

Trump acusou a Guarda Revolucionária de ser uma "força pessoal terrorista e corrupta" dos líderes iranianos, tendo um grande peso sobre a economia do país e financiando o terrorismo no exterior.

Em comunicado, o secretário de Tesouro, Steven Mnuchin, disse que o IRGC será punido por dar apoio à "Força al Quds", parte do órgão que auxilia o regime do presidente da Síria, Bashar al Assad, a promover a "violência brutal" contra seu próprio povo. O corpo de elite, segundo Mcnuchin, também ajudaria nas "atividades letais realizadas pelo Hezbollah e o Hamas".

Os EUA já tinham sancionado a Força Al Quds por terrorismo em 2007. Alguns setores conservadores dos Estados Unidos, assim como o Comitê de Assuntos Públicos de Israel, um dos principais grupos lobistas israelenses no país, tinham pressionado para que as punições fossem ampliadas para o IRGC.

Segundo Mnuchin, a Guarda Revolucionária desempenhou um "papel central" para que o Irã "se transforme no principal Estado promotor do terrorismo". "A busca de poder do Irã se produz às custas da estabilidade regional", afirmou o secretário de Tesouro.

"O Tesouro seguirá usando sua autoridade para interromper as atividades destrutivas do IRGC", destacou Mnuchin.

Além do corpo de elite, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento de Tesouro sancionou três entidades com sedes no Irã pelas suas atividades relacionadas com "elementos-chave" das forças militares do país.

As entidades são a Shahid Alamolhoda Industries (SAI), a Rastafann Ertebat Engineering Company e a Fanamoj.

A SAI, explicou o Departamento de Tesouro, é controlada ou pertence ao grupo iraniano Naval Defense Missile Industry Group (SAIG), que produz mísseis de cruzeiros e navios. Ela também foi sancionada pela ONU e pela União Europeia.

Os EUA também sancionaram a Wuhan Sanjiang Import and Export, com sede na China, por atividades relacionadas ao Exército do Irã.

Com essas medidas, os bens que essas empresas e o IRGC tenham em territórios americanos ficam congelados. Os cidadãos dos EUA são proibidos de fazer negócios com os punidos. Pessoas de fora do país podem ser proibidos de entrar no sistema financeiro americano se tiverem negócios com dos sancionados.

As sanções foram anunciadas depois de o presidente do Irã, Hassan Rohani, ter alertado nesta semana que punir a Guarda Revolucionária seria um "erro" porque o órgão é popular entre os iranianos, mas também nos países vizinhos, como no Iraque e na Síria, porque "conteve o Estado Islâmico".

O comandante do IRGC, general Mohammad Ali Jafari, alertou aos EUA que as tropas e bases americanas no Oriente Médio estarão em risco se as sanções fossem impostas.

Jafari disse que, se o governo Trump incluísse a Guarda Revolucionária na lista de grupos terroristas do governo dos EUA, os soldados americanos seriam tratados pelo órgão no mundo todo, especialmente no Oriente Médio, como membros do EI.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos