Ex-ministra francesa é eleita diretora-geral em momento crítico da Unesco

Luis Miguel Pascual.

Paris, 13 out (EFE).- A ex-ministra da Cultura da França Audrey Azoulay foi eleita nesta sexta-feira pelo Conselho Executivo da Unesco diretora-geral dessa organização que, segundo ela mesma reconheceu, atravessa "um momento crítico" após a saída de Estados Unidos e Israel.

Audrey, que apresentou sua candidatura no último momento, quando tudo indicava que o cargo seria ocupado por um candidato árabe, superou por dois votos o catariano Hamad bin Abdulaziz Al Kawari, também um ex-ministro da Cultura.

A francesa obteve 30 dos 58 votos do Conselho Executivo da organização, que proporá seu nome à Conferência Geral que se reunirá a partir de 30 de outubro e oficializará a nomeação em 10 de novembro. Ela é a segunda mulher a dirigir a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) - a primeira foi justamente sua antecessora, a búlgara Irina Bokova, que permaneceu por oito anos no cargo.

"Este processo eleitoral tem se desenvolvido em um momento de crise, no qual é melhor se empenhar para reerguer a Unesco, para apoiá-la e reformá-la, mas não para abandoná-la", disse Audrey em seu primeiro discurso após a eleição, em menção implícita a EUA e Israel, que ontem anunciaram que deixarão a Unesco descontentes, sobretudo, pela sua suposta "tendência anti-israelense".

A inclusão da Palestina, em 2011, foi o que motivou os EUA, principal contribuinte para as finanças da Unesco, a decidirem suspender seu aporte, o que reduziu de forma considerável a margem de manobra de uma entidade que, entre outras funções, é responsável pela preservação do patrimônio da humanidade.

Diante dessa postura, a futura líder da Unesco afirmou que "os desafios da atualidade transitam pelos campos de ação da Unesco", e por isso pediu, "mais do que nunca", apoio à sua organização.

"Somente com educação, com cultura, com ciência, podemos contribuir a longo prazo nos problemas do mundo atual", disse.

Audrey, que teve uma curta experiência ministerial de cinco meses no governo do ex-presidente francês François Hollande, lembrou que a Unesco foi criada em um dos momentos mais trágicos da história da humanidade, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, mas que seus fins "seguem atuais".

Sem se aprofundar muito quanto a quais serão suas prioridades, Audrey indicou que tentará aplicar a Agenda de Desenvolvimento Sustentável de 2030 e que trabalhará na prevenção de conflitos.

Nascida em Paris em 1972 e de origem marroquina, ela é filha de uma família de banqueiros judeus muito próximos da monarquia do Marrocos.

A vitória de Audrey é considerada no entorno da Unesco como uma surpresa e uma constatação da divisão dentro do bloco de países árabes, incapazes de apresentar uma candidatura unitária a um cargo, como parecia prometido desde a segunda eleição de Irina Bokova.

Quatro candidatos procedentes do mundo árabe - a libanesa Vera El Khoury Lacoeuilhe, o iraquiano Saleh Al Hasnawi, a egípcia Moushira Khattab e o catariano Al Kawari - se candidataram ao cargo, ao qual também concorreram o chinês Qian Tang, o vietnamita Pham Sanh Chau e o azerbaijano Polad Bülbüloglu.

Contra os prognósticos oficiais, o candidato do Catar foi o que teve mais apoio nas primeiras votações. Audrey e Moushira empataram na segunda posição, e o Comitê Executivo decidiu organizar uma inédita votação entre elas para definir quem seria a adversária de Al Kawari no final.

A francesa obteve 31 votos, um a mais dos que posteriormente conseguiu na votação final contra o catariano.

Nessa última votação, como em todas as anteriores, secretas e a portas fechadas, não foram suficientes as alianças do ex-ministro do Catar, que parecia contar com sólidos apoios entre os países africanos e da América Latina para se tornar o primeiro diretor-geral árabe da Unesco.

Fontes da organização indicaram que Al Kawari tinha feito campanha na América Latina prometendo ficar apenas quatro anos no cargo, para depois dar lugar a um candidato dessa região.

Também parece que pesou a guerra diplomática que o Catar trava contra a Arábia Saudita, país que, ainda segundo fontes da Unesco, ameaçou abandonar a organização se o catariano fosse o escolhido. EFE

lmpg/cs/id

(foto)

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos