Ex-procurador-geral denunciará Venezuela perante Tribunal Penal Internacional

Genebra, 11 out (EFE).- A ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, anunciou nesta sexta-feira que apresentará perante a Tribunal Penal Internacional uma denúncia contra o Estado venezuelano por violações dos direitos humanos.

Esse documento judicial, que já está pronto, será acompanhado de "um conjunto de experiências cujo número não revelarei agora, mas que passam por protocolos de autópsia, onde fica evidenciada a execução das pessoas, com disparos de cima para abaixo, o que significa que estavam provavelmente de joelhos", detalhou.

Ortega fez estas declarações ao término de uma reunião em Genebra com o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, com quem debateu a situação na Venezuela e a realização no domingo das eleições regionais.

"Temos reconhecimentos médico-legais que evidenciam as torturas, especialistas em balística para demonstrar a modificação dos projéteis, ou seja, temos um número de provas para mostrar junto com o documento", disse Ortega, que foi tirada do cargo pela Assembleia Nacional Constituinte e atualmente reside com o seu marido na Colômbia.

O expediente preparado por Ortega cobrirá um período "de quatro ou cinco anos", incluída a violência política dos últimos meses, indicou.

Ortega também disse que planeja divulgar amanhã outras informações relacionadas com evidências que tem em seu poder contra o Governo de Nicolás Maduro.

"Decidi começar revelar todas estas provas, ou parte delas, porque vou deixar muitas guardadas para ver em que oportunidade as mostrarei", comentou.

Ortega publicou na quinta-feira, através de sua conta no Twitter, um vídeo no qual aparece o antigo presidente da Odebrecht na Venezuela supostamente prestando depoimento perante autoridades judiciais do Brasil e afirmando que tinha entregue US$ 35 milhões para a campanha eleitoral de Maduro.

No mesmo dia, o procurador-geral venezuelano, Tarek Saab, informou que tinha lançado um alerta vermelho contra o marido de Ortega e ex-deputado, Germán Ferrer, por seu envolvimento em uma suposta rede de extorsão.

"Meu marido foi acusado de abrir uma conta com US$ 6 milhões nas Bahamas, no banco UBS. A montagem foi tão grosseira que não perceberam que este banco não realiza transações neste país. Supostamente em 29 de março meu marido abriu uma conta. Revisem se este banco existe nas Bahamas", comentou.

O site do banco suíço UBS indica que tem um escritório subsidiário nas Bahamas.

Sobre sua conversa com Zeid, Ortega apontou que o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela desenhou "estratégias para evitar que os venezuelanos possam votar livremente".

"Pressionam os funcionários públicos para que votem pela fórmula do Governo e perseguem a oposição", disse a respeito.

Por isso, Ortega pediu à comunidade internacional que faça um acompanhamento dessas eleições, "pois com segurança vamos encontrar irregularidades, tudo para favorecer os candidatos do Governo".

No entanto, Ortega disse que os venezuelanos devem comparecer à votação porque "a maneira de sair de um Governo deve ser através de eleições" e expressou o seu desejo que a pressão popular possa garantir algum tipo de transparência dos resultados.

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