Mais de 500 pessoas são detidas em protestos de anglófonos em Camarões

Nairóbi, 13 out (EFE).- Mais de 500 pessoas foram detidas em Camarões desde 1 de outubro por exigir a independência ou federalismo nas zonas anglófonas do país, informou nesta sexta-feira a Anistia Internacional (AI).

As pessoas foram detidas em dezenas de cidades do nordeste e sudoeste do país - zonas anglófonas- desde 1 de outubro, quando pelo menos 20 pessoas morreram em enfrentamentos com a polícia em uma das maiores manifestações dos últimos meses.

"Esta detenção em massa de manifestantes, a maioria que atuava pacificamente, não só é uma violação dos direitos humanos, senão também é provável que seja contraproducente", disse em um comunicado a investigadora da Anistia Internacional no Lago Chade, Ilaria Allegrozzi.

Em Bamenda, capital da Região Noroeste, pelo menos 200 pessoas foram detidas e a maioria delas levadas à prisão de Bafoussam, e em Buea, capital da Região Sudoeste, outras 300 foram detidas nos protestos de 1 de outubro e entre os dias 6 e 8, quando o Governo realizou uma detenção em massa.

Testemunhas disseram à Anistia que muitas prisões estão cheias após a onda de detenções.

Alguns dos detidos foram acusados de buscar a secessão, outros de não possuir documentos de identidade e o resto de destruição de bens públicos ou não cumprimento da ordem pública.

A AI informou que, ainda que alguns já tenham sido levados perante os tribunais, outros foram postos em liberdade mediante pagamento de subornos. Em lugares como Buea, os familiares disseram ter pago à polícia US$ 60 para a liberdade do detido.

O temor à detenção e o desdobramento a grande escala das forças de segurança também fizeram com que dezenas de manifestantes feridos fugissem dos hospitais onde estavam internados.

Desde novembro, a tensão entre o Governo camaronês e os cidadãos anglófonos cresceu de forma exponencial e as forças de segurança responderam aos protestos com violência.

Camarões foi colônia inglesa e francesa até 1960, quando se independentizou de ambas potências e instaurou um Estado federal até a realização de um referendo em 1972, que o tornou um Estado unificado. Desde então, ambos idiomas são co-oficiais e convivem junto a 250 línguas locais.

No entanto, a minoria anglófona - quase 1/4 da população - se queixa de marginalização a respeito da maioria francófona quanto à desigual distribuição da riqueza e às diferenças ao considerar o inglês uma língua secundária, por isso exigem a volta ao federalismo ou a independência destas regiões.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos