Rohani afirma que Irã só respeitará acordo nuclear se houver reciprocidade

Teerã, 13 out (EFE).- O presidente do Irã, Hassan Rohani, disse nesta sexta-feira que o país respeitará o acordo nuclear firmado com o chamado Grupo 5+1 - Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido, mais Alemanha - enquanto houver reciprocidade por parte dos demais governos que assinaram o pacto.

"Nós o respeitaremos como um tratado multilateral só até quando forem respeitados nossos direitos, enquanto nossos interesses precisem dele, até quando nós obtenhamos seus benefícios", disse Rohani em um discurso transmitido em rede nacional de televisão.

"Colaboramos e manteremos nossa colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (OIEA) dentro dos tratados internacionais e do acordo nuclear. Mas, se algum dia os nossos benefícios não forem contemplados e as outras partes quiserem violar seus compromissos, que saibam que o Irã não hesitará nem um instante e os responderá", alertou Rohani.

O discurso foi uma reação ao anúncio feito mais cedo pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que disse que não certificará o acordo nuclear ao Congresso e que fez várias críticas ao regime iraniano, especialmente sobre os testes de mísseis balísticos e ao suposto apoio ao terrorismo realizado pela Guarda Revolucionária.

Rohani disse que as armas e os mísseis que estão sendo construídos são apenas para a defesa do país e que o Irã, de agora em diante, ampliará ainda mais sua capacidade defensiva.

"Nossas armas e mísseis são para nossa defesa. Sempre estivemos decididos para nos defendermos e hoje estamos ainda mais. Sempre nos esforçamos para fabricar as armas que precisávamos e, de agora em diante, duplicaremos nosso esforço. Nossas armas são para nossa defesa, e continuaremos com nosso fortalecimento defensivo", disse.

"A Guarda Revolucionária, junto ao povo do Irã, do Iraque, da Síria e do Iêmen, resistirá aos grupos terroristas criados pelos EUA e, até sua total destruição, não se dará por vencida", ressaltou.

O presidente do Irã afirmou que não ouviu nada além de insultos no discurso de Trump. Além disso, Rohani disse que o republicano repetiu uma série de "absurdas acusações" que são feitas pelas autoridades americanas ao longo dos últimos 40 anos.

Para Rohani, um governo como o dos EUA, que já usou duas vezes armas atômicas contra um país, não pode dar opinião sobre o assunto.

O presidente iraniano ressaltou que o discurso de Trump criou mais união interna e que os EUA não conseguirão dividir o país.

"Os senhores não podem criar distância entre o povo do Irã e o líder supremo Ali Khamenei, já que o fundamento da nossa religião foi não separá-la da política", afirmou Rohani.

Após a assinatura do acordo com o Irã, o Congresso do EUA aprovou uma lei, conhecida pela sigla INARA, que exige que o presidente certifique a cada 90 dias se o pacto favorece ao "interesse nacional" do país. Trump decidiu não certificar o tratado.

Além disso, o presidente americano ameaçou abandonar o pacto se seus defeitos não forem corrigidos. Trump também decidiu sancionar a Guarda Revolucionária do Irã por apoiar o terrorismo, elevando as tensões entre os dois países.

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