Trump pedirá imposição de "linhas vermelhas" no pacto nuclear com o Irã

Washington, 13 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedirá nesta sexta-feira ao Congresso que marque limites unilaterais, ou "linhas vermelhas", ao acordo nuclear alcançado com o Irã em 2015, mediante uma emenda que estabeleça que, se Teerã cometer certas ações, os EUA imporão automaticamente sanções.

Trump também abrirá a possibilidade de negociar, com o Irã e as outras cinco potências que assinaram o pacto, um acordo paralelo que faça frente às "deficiências" do acordo atual, segundo o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.

"O presidente chegou à conclusão que não pode certificar que a suspensão das sanções que foi outorgada (ao Irã) foi proporcional em relação ao benefício" do acordo, afirmou Tillerson em uma entrevista coletiva.

Após a assinatura do acordo nuclear com o Irã, o Congresso americano aprovou uma lei (conhecida pela sigla em inglês Inara) que exige que o presidente americano certifique a cada 90 dias se Teerã está cumprindo com o pacto e se o acordo favorece o "interesse nacional" dos EUA.

Trump anunciará em seu discurso que, embora tecnicamente acredite que o Irã está cumprindo o acordo nuclear, considera que este não está no interesse nacional dos EUA.

Essa determinação abre "três alternativas", segundo Tillerson, das quais a primeira é "que o Congresso não faça nada" e a segunda é que decida voltar a impor as sanções ao programa nuclear do Irã que os EUA suspenderam como parte do pacto multilateral.

"Voltar a impor as sanções enviaria, com efeito, a mensagem que sairemos do acordo", reconheceu Tillerson.

Mas Trump não recomendará ao Congresso nenhuma dessas opções, mas sim uma terceira alternativa, que consiste em "emendar a lei Inara para acrescentar linhas vermelhas muito firmes".

"Se o Irã cruzar alguma destas linhas vermelhas, as sanções voltam imediatamente a ser aplicadas", indicou Tillerson.

Além disso, o presidente americano pedirá aos seus parceiros no acordo nuclear (França, Reino Unido, Alemanha, China, Rússia e Irã) que abram um debate sobre certas "áreas que não são discutidas no pacto", disse Tillerson, sem especificar quais assuntos estariam incluídos nesse acordo paralelo.

Dado que renegociar o pacto de 2015 é "pouco provável", pois "o Irã não vai se emprestar" a isso, os EUA querem criar "um novo acordo que não substitua o nuclear, mas sim aborde esses temas e se mantenha em paralelo" ao acordo anterior, explicou Tillerson.

O chefe da diplomacia disse que já informou essa possibilidade aos seus homólogos de França, Alemanha e Reino Unido; mas reconheceu que é possível que o Irã responda "que não está interessado em falar" nem em negociar.

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