Trump quer mudar acordo nuclear com Irã e ameaça cancelá-lo

Washington, 13 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta sexta-feira ao Congresso e a seus aliados internacionais para que trabalhem com ele para corrigir o que chamou de "defeitos graves" do acordo nuclear fechado com o Irã e outros cinco países e advertiu que, se não conseguir mudá-lo, seu país deixará o pacto.

Trump anunciou que, embora por enquanto não saia do acordo, eliminará a certidão que ele deve fazer regularmente ao Congresso de que "a suspensão de sanções é apropriada e proporcional em relação às medidas que o Irã" está tomando para limitar seu programa nuclear.

"Trabalharemos com o Congresso e os nossos aliados para enfrentar os muitos defeitos graves do acordo", disse Trump durante um discurso na Casa Branca para revelar a sua estratégia para o Irã.

O presidente americano quer corrigir "frégeis inspeções" que o acordo contempla; encarar o programa "de mísseis balísticos" de Teerã e eliminar as "datas de vencimento" das restrições impostas sobre o programa nuclear iraniano, que em alguns casos expiram após de 10 a 25 anos.

"Qual é o propósito de um acordo que só atrasa a capacidade nuclear (do Irã) durante um período curto de tempo? Isto, como presidente dos Estados Unidos, é inaceitável", afirmou.

Trump advertiu que deixará o pacto se não houver remodelações no acordo de forma unilateral - por parte do Congresso americano - ou multilateral - em negociações com as outras partes do acordo (França, Reino Unido, Alemanha, China, Rússia e Irã).

"Caso não possamos chegar a uma solução, o acordo será cancelado", reiterou.

"Não continuaremos por um caminho cuja conclusão previsível é mais violência, mais terror e a ameaça muito real de um surto nuclear no Irã", argumentou, em referência ao acordo assinado em 2015.

O presidente americano reiterou a sua habitual crítica de que esse pacto foi "uma das piores e mais unilaterais transações nas quais os Estados Unidos já entrou", e acusou o Irã de "não estar cumprindo o espírito do acordo".

Ainda que os EUA reconheçam que, tecnicamente, o Irã está cumprindo o acordo, acredita que a suspensão de sanções americanas não foi "proporcional" às medidas que Teerã tomou, e que os "frágeis mecanismos de inspeção" poderiam permitir aos iranianos ocultar um descumprimento.

"Se supunha que o acordo iria contribuir para a paz e a segurança regional e internacional, mas o regime iraniano continua alimentando (a instabilidade na região)", acrescentou Trump.

Após a assinatura do acordo nuclear com o Irã, o Congresso americano aprovou uma lei, conhecida pela sigla em inglês Inara, que exige que o presidente certifique a cada 90 dias se acordo favorece o "interesse nacional" dos Estados Unidos.

Essa é a certidão que Trump eliminou hoje, e o governo americano quer que o Congresso emende a citada lei para estabelecer "linhas vermelhas" que, se forem ultrapassadas por Teerã, significariam a imposiçâo automática de sanções, segundo o secretário de Estado, Rex Tillerson.

Trump disse ainda que os EUA farão mais para "enfrentar as ações hostis" do regime iraniano, que segundo ele é "fanático" e "o principal patrocinador do terrorismo" no mundo e "espalhou a morte, a destruição e o caos" por todo o planeta.

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