Hillary diz que deixar a UE sem acordo seria "grande desvantagem" no Brexit

Londres, 14 out (EFE).- A ex-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos Hilary Clinton opinou em trechos de uma entrevista divulgados neste sábado que deixar a União Europeia (UE) sem um acordo bilateral seria "uma grande desvantagem" para o Reino Unido.

Em declarações ao programa "The Andrew Marr Show", da "BBC", que será exibido no domingo, Hillary também disse duvidar que o país consiga assinar facilmente um tratado comercial com os Estados Unidos, já que, segundo ela, o presidente Donald Trump "não acredita no comércio".

Sobre sair do bloco econômico sem um acordo, a ex-secretária de Estado dos EUA lembrou que com isso "não haveria acordos comerciais preferenciais, o que quer dizer que os produtos do Reino Unido não teriam o fácil acesso ao mercado europeu que tiveram durante a permanência na UE".

"Isso poderia se traduzir facilmente em uma maior pressão sobre as empresas britânicas, se não para se mudarem completamente, mas para abrir sedes e postos de trabalho em outras partes da Europa. O transtorno para o Reino Unido pode ser muito grave", explicou.

Perguntada sobre a possibilidade de fechar um acordo comercial específico com os Estados Unidos, Hillary expressou as suas dúvidas.

"Sim, mas estará sendo feito fazendo um acordo com alguém (Trump) que diz que não acredita no comércio. Ou seja, que não tenho certeza de como vai a desenvolver isto nos próximos anos. Parece que ele está a ponto de nos tirar da NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), em vez de renová-lo", lamentou.

"Os nossos maiores sócios comerciais no mundo são o México e o Canadá, ou seja, isto terá consequências econômicas reais para o mundo", acrescentou.

De acordo com Hillary, da mesma forma que ocorreu na campanha eleitoral americana, na campanha do Reino Unido para o referendo sobre a permanência na UE votado em 23 de junho de 2016, o lado pró-Brexit usou informação e dados "fabricados".

Os comentários de Clinton, que está no Reino Unido para promover o seu último livro, "What happened" ("O que aconteceu", em tradução livre), chegam em um momento crítico das negociações entre Londres e Bruxelas para a saída britânica da União Europeia, que deve ser concluída em 29 de março de 2019.

Na quinta-feira passada, ao término da quinta rodada de conversações, o negociador-chefe comunitário, Michel Barnier, revelou que não recomendará aos chefes de Estado e de governo dos outros 27 integrantes do bloco a iniciarem a segunda etapa de negociação, centrada na futura relação com o Reino Unido, em meio à falta de avanços na primeira fase, na qual devem ser resolvidos assuntos como o acordo financeiro entre Londres e Bruxelas, os direitos dos cidadãos e a fronteira irlandesa.

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