Tailândia entra na reta final para funeral do rei Bhumibol Adulyadej

Gaspar Ruiz-Canela.

Bangcoc, 14 set (EFE).- Um ano depois, a Tailândia faz os últimos preparativos para o funeral do rei Bhumibol Adulyadej, que morreu no dia 13 de outubro do ano passado e será cremado na próxima quinta-feira, em um elaborado ritual em Bangcoc com a presença de monarcas de vários países.

O funeral, que acontecerá entre os dias 25 e 29 deste mês, incluirá cerimônias religiosas na Praça de Sanam Luang, onde o governo construiu um monumento que evoca o budismo e o hinduísmo. A estrutura conta com uma torre de mais de 50 metros de altura que representa o monte Meru, "morada" do deus Indra.

O diretor do Departamento de Literatura e História do Ministério de Cultura, Boonteun Srivorapot, explica que toda esta simbologia tem, em grande parte, origem no livro "Tri Bhumi" ("Os três mundos"), do rei Mahathammaracha I, do antigo reino de Sukhothai.

"O desenho do monumento funerário real foi feito a partir da imagem do sagrado monte Meru, que estará no centro da estrutura com os outros oito picos representando diferentes níveis do universo. A construção reflete a crença do "Tri Bhumi". Na Tailândia, este tipo de monumento é elaborado para os reis, com base na tradição, desde o reino de Ayutthaya, que existiu entre os séculos XIV e XVIII", contou o diretor à Agência Efe.

A grande estrutura em Sanam Luang, que levou mais de dez meses para ser erguida, é decorada com divindades e animais mitológicos, como a Garuda - o pássaro usado como veículo pelo deus Vishnu -, as serpentes nagas e criaturas metade ave, metade homem.

Mais de 12,7 milhões de tailandeses - quase um quarto da população - já visitaram a sala do Grande Palácio Real, onde estão os restos mortais de Bhumibol, que faleceu aos 88 anos e depois de sete décadas no trono, desde o ano passado. Ao todo, o Palácio recebeu mais de 880 milhões de bats (R$ 76 milhões) em doações de pessoas que querem melhorar o seu carma.

No dia 26, os restos mortais serão levados em um carro dourado a Sanam Luang em uma enorme procissão na qual participarão milhares de guardas reais, religiosos indianos e monges budistas. A cremação acontecerá à noite. As cinzas serão divididas e entregues a dos templos de Bangkok no dia 29.

Segundo Boonteun Srivorapot, tradicionalmente o rei tailandês é considerado a reencarnação de 11 divindades do hinduísmo. Com isso, o monarca é considerado um ser semidivino e que, após o seu falecimento, o seu destino é renascer em um reino celestial, antes de voltar ao mundo terreno como Buda.

Para a maioria dos tailandeses, Bhumibol Adulyadej era, até o ano passado, o único monarca conhecido e muitos o consideravam um ser quase divino, símbolo de união e guia do país.

A cremação também permitirá o início da coroação oficial do seu filho Maha Vajiralongkorn, que subiu ao trono em dezembro do ano passado. O príncipe herdeiro, de 65 anos, não tem o mesmo prestígio do pai, mas nos últimos meses mostrou a sua influência assumindo um maior controle do patrimônio da coroa, calculado em US$ 35 bilhões de (R$ 110 bilhões), e de várias agências relacionadas a segurança. EFE

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(foto) (vídeo)

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