China idolatra Xi Jinping com um repasse dos seus 5 anos de mandato

Jèssica Martorell.

Pequim, 16 out (EFE).- Ainda que oficialmente se trate de uma exposição sobre o progresso conseguido na China nos últimos cinco anos, o presidente Xi Jinping é o grande protagonista de uma mostra em Pequim na qual se idolatra o governante, a poucos dias da comemoração do decisivo 19º Congresso do Partido Comunista.

No emblemático Centro de Exposições da capital, característico pelo seu estilo arquitetônico chinês-soviético, o regime comunista faz uma grande campanha através de centenas de fotografias com as quais venera seu líder, do qual se destaca seu lado mais humano, sem esquecer sua intensa diplomacia.

Em várias regiões temáticas, os visitantes podem rever o desenvolvimento econômico chinês - apoiado com vários gráficos e dados -, bem como os avanços em defesa, inovação, luta contra a pobreza ou defesa do meio ambiente.

Tudo isso no meio de várias frases que Xi repetiu desde que chegou à presidência, entre elas a sua grande mensagem, o de continuar o "sonho chinês", que os guias repetem constantemente aos visitantes para mostrar a eles que é possível alcançá-lo.

Este sonho se traduz, por exemplo, em imponentes submarinos como o Jiaolong ou seu trem de alta velocidade, o mais rápido do mundo que liga as cidades de Pequim e Xangai a 350 quilômetros por hora.

Outra das grandes "conquistas" exibidas na mostra, titulada "Em cinco anos", é a campanha anticorrupção que começou em 2012 por Xi e que representou castigos e sanções para mais de 1,4 milhão de funcionários.

Assim, se podem ler as confissões escritas dos funcionários corruptos junto com as fotografias de antigos líderes importantes, como o ex-ministro de Segurança Pública Zhou Yongkang e o ex-dirigente provincial Bo Xilai, condenados a cadeia perpétua por corrupção.

A China também alardeia de potencial militar em uma ampla zona reservada exclusivamente para isso, onde os visitantes podem tirar fotos, com orgulho, junto de algumas armas pesadas.

A mostra também esquece outro dos pontos fortes da China, a diplomacia, com várias imagens que imortalizam grandes cúpulas realizadas no país, como a última dos BRICS em setembro ou a reunião de líderes sobre as Novas Rotas da Seda, em maio, um projeto de infraestruturas impulsionado por Pequim para fomentar as suas relações econômicas e comerciais com o resto da Ásia, a Europa e a África.

Com Xi rodeado de grandes governantes de todo o mundo, o regime alardeia o papel-chave que a China representa a nível internacional, bem como as conquistas "históricas" feitas pelo governante, entre eles, o restabelecimento das suas relações com o Panamá em junho passado.

A exibição também destaca a histórica reunião de Xi e o então presidente taiuanês Ma Ying-jeou em Cingapura em novembro de 2015, a primeira desde a guerra civil chinesa, com a qual se encerrou um dos últimos rescaldos da Guerra Fria.

A imagem que o regime quer transmitir do governante é o de um homem próximo ao seu povo, com fotos com as quais se ilustra outro dos grandes "marcos" de Xi: a luta contra a pobreza.

Todos estes capítulos dos feitos do governante, que concentrou maior poder que o seu antecessor Hu Jintao, estão recolhidos no seu livro "Xi Jinping: a Governança da China", cujos exemplares também são exibidos na mostra.

A China rende assim culto a seu líder a somente alguns dias de começar o congresso comunista, em que se esperam mudanças na cúpula do regime, ainda que Xi, salvo uma grande surpresa, continuará à frente do mesmo.

No meio deste grande progresso econômico exibido com orgulho pelo Governo, não há rastro, no entanto, de outra das características do mandato de Xi: o endurecimento da censura e o aumento da repressão contra críticos e dissidentes.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos