Mais de 10 mil rohingyas entraram em Bangladesh nos últimos 2 dias, diz Acnur

Genebra, 17 out (EFE).- Entre 10 e 15 mil refugiados rohingya chegaram a Bangladesh nas últimas 48 horas, o que eleva para cerca de 582 mil o número de pessoas dessa etnia que fugiram de Mianmar desde o fim de agosto, disse nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Esses refugiados se encontram em uma área de plantações de arroz e aguardam para serem submetidos a controles por parte das autoridades de Bangladesh, antes de serem transferidos para os principais acampamentos que estão sendo montados para acolhê-los.

"Estamos pedindo aos responsáveis em Bangladesh que admitam urgentemente esses refugiados que fugiram da violência e para quem as condições de retorno são cada vez mais difíceis. Cada minuto conta devido às condições nas quais eles chegam", explicou o porta-voz do Acnur em Genebra, Andrej Mahecic.

Vários refugiados que chegaram a Bangladesh desde o domingo explicaram aos trabalhadores humanitários que, apesar das ameaças de morte para que deixassem suas casas no norte do estado de Rakhine, no oeste de Mianmar, tinham decidido permanecer, mas tiveram que fugir quando suas aldeias foram incendiadas.

Para chegar à fronteira com Bangladesh, os refugiados rohingya tiveram que caminhar por uma semana.

Além disso, Mahecic disse que é possível ouvir todas as noites, nos campos de arroz onde se encontram os refugiados, os sons dos disparos de armas de fogo do lado birmanês.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que em torno de 60% dos refugiados rohingya são menores de idade e que, caso o fundo não receba logo novas contribuições financeiras para continuar oferecendo ajuda, será obrigado a cortar a assistência.

"As necessidades aumentam num ritmo que supera em muito os recursos que recebemos. Até hoje, o Unicef recebeu 7% dos US$ 76 milhões que solicitou para ajudar os menores refugiados rohingyas nos próximos seis meses", detalhou a porta-voz do fundo, Marixie Mercado.

Entre os mais vulneráveis que podem ser afetados com o corte de ajuda estão as crianças que chegaram a Bangladesh desacompanhadas.

"As crianças rohingyas já viveram atrocidades e precisam da ajuda mais essencial, como abrigo, água, medicamentos, vacinas e proteção, e não amanhã, mas agora", enfatizou a porta-voz do Unicef.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, comunicou que concluiu a primeira fase da vacinação contra o cólera em favor de 680 mil refugiados rohingyas, que estão concentrados na localidade bengalesa de Cox's Bazar.

Na próxima semana, será iniciada a segunda fase desta campanha de imunização, mas que estará voltada somente para 200 mil crianças com idades entre 1 e 5 anos, que receberão uma dose de reforço.

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