Milhares de pessoas ocupam o centro de Kiev para protestar contra a corrupção

Khrystyna Kinson

Kiev, 17 out (EFE).- Milhares de pessoas tomaram nesta terça-feira o centro de Kiev para protestar contra a imunidade parlamentar e exigir tribunais independentes para combater a corrupção, reivindicações dirigidas ao presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko.

"Enquanto Poroshenko estiver no poder, não haverá progresso. Em três anos, não mudou nada. Não sairemos daqui até que escutem o povo ucraniano e atendam a todas as nossas demandas", disse Mikheil Saakashvili, ex-governador da região ucraniana de Odessa.

Saakashvili, ex-presidente georgiano e líder da nova oposição a Poroshenko, foi o autêntico protagonista do ato ao acusar o presidente de "usurpar o Poder Judiciário".

O político apátrida, que iniciou uma viagem pelo país para denunciar a corrupção na alta cúpula da política ucraniana, se uniu aos protestos com apoiadores, que o receberam com cantos de "Misha" (diminutivo em russo de Mikhail) e gritos que pediam a demissão de Poroshenko.

As principais reivincicações de Saakashvili, amparados pela maioria dos grupos de oposição, são a reforma da Constituição para eliminar a imunidade dos deputados, a criação de um tribunal independente contra a corrupção e um sistema eleitoral parlamentar mais aberto e transparente.

Manifestantes procedentes de diversas regiões do país começaram a se concentrar na manhã desta terça-feira em frente ao Parlamento da Ucrânia e, segundo dados da polícia, no início da tarde o local já contava com mais de quatro mil pessoas.

No decorrer da sessão plenária do Parlamento, que atrasou devido aos protestos, ativistas e opositores ao Governo cercaram o edifício com cartazes e bloquearam as saídas para obrigar os deputados a escutá-los e atender aos pedidos.

"Estamos há anos sem progresso na reforma judiciária, queremos um tribunal separado de todos os poderes para que exista um controle real sobre o governo, já que os juízes que temos são ineficazes na luta contra a corrupção", comentou Galina Nikolenko, uma representante do partido Batkivshchina (Pátria).

Os protestos se caracterizaram por um ambiente pacífico entre os participantes durante no início do dia, depois ocorreram alguns confrontos entre policiais e ativistas nas ruas que cercam o prédio.

Segundo fontes do Ministério do Interior, pelo menos quatro pessoas ficaram feridas, entre eles um policial. Os agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que avançaram sobre as forças da ordem.

Além disso, um grupo liderado por Saakashvili atravessou - diante do atento olhar das forças de segurança - o cordão policial que rodeava o Parlamento e começou a instalar barracas e sacos de dormir em frente ao edifício.

As manifestações transcorreram em meio a um amplo dispositivo de segurança, com mais de 3,5 mil agentes patrulhando a zona, e ninguém foi detido até o momento.

"Estamos aqui para que o governo dialogue com o povo. Estamos há quatro anos lutando para impedir que no nosso país haja um regime como o da Rússia, para que a Ucrânia tenha liberdade de eleição. É necessário modificar as leis para que o processo eleitoral seja aberto e tenhamos candidatos decentes", disse Alla, uma advogada de 32 anos que segurava um cartaz no protesto.

A manifestação foi marcada por um colorido leque de bandeiras de quase todas as formações políticas do país. Quase simultaneamente com o começo do protesto, Poroshenko atendeu a um dos pedidos e registrou no Parlamento um projeto de lei para eliminar a imunidade dos parlamentares.

Mesmo assim, os organizadores anunciaram que prolongariam o protesto até a próxima quinta-feira, quando o Parlamento prevê dar uma resposta ao restante das demandas da oposição.

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