Organização denúncia prisões antes de congresso comunista na China

Pequim, 17 out (EFE).- A organização Chinese Human Rights Defenders (CHRD) - Defensores Chineses dos Direitos Humanos - denunciou nesta segunda-feira a detenção de 14 ativistas e críticos do governo da China nas semanas prévias à realização do 19º Congresso do Partido Comunista, que começa amanhã em meio a um grande cerco policial em Pequim.

De acordo com o grupo, a maioria é acusada de "provocar brigas e problemas", argumentos que as autoridades estão usando "como pretexto" para prender os críticos do governo, incluindo aqueles que publicam comentários ou compartilham informações na internet consideradas ameaçadoras para a estabilidade política.

"A Polícia aumentou o uso destes acusações contra o ativismo da sociedade civil", alertou em comunicado a organização, que também denunciou dois casos recentes desaparecimentos forçados.

Na quinta-feira passada, a Polícia entrou na casa de Wu Kemu, conhecido ativista virtual, e o levou preso por, supostamente, "procurar briga". Também foram detidos os cantores Xu Lin e Liu Sifang, que escreveram músicas sobre os direitos humanos, algumas sobre o dissidente e Nobel da Paz Liu Xiaobo, que morreu em julho por conta de um câncer no fígado diagnosticado tardiamente, enquanto ele estava preso.

Li Xuehui, de 80 anos, e a filha Wang Fengxian também foram detidas com a suspeita de gravar e publicar no Youtube um vídeo zombando do presidente do país, Xi Jinping, no final de setembro.

Outras seis pessoas foram presas, sendo que cinco já foram liberadas, depois de mostrar apoio ao professor Zi Su, que foi detido em junho por "incitar à subversão" após publicar uma carta pedindo eleições democráticas durante o congresso comunista.

A CHRD também denunciou o sumiço de Ding Lingjie, membro da organização Civil Rights & Livelihood Watch, desde 22 de setembro, e do ativista Li Yu, detido em 14 de outubro em Chengdu. Ambos foram detidos pela Polícia, mas as famílias nunca foram notificadas.

O 19º Congresso do Partido Comunista, a maior reunião política dos últimos cinco anos, acontece em meio a fortes medidas de segurança e um aumento das restrições na já censurada internet do país. Nas últimas semanas, a China bloqueou o WhatsApp e os serviços VPN experimentam grandes dificuldades para passar pela "grande muralha virtual" criada pela censura oficial.

Também entraram em vigor novas normas que restringem ainda mais os comentários na rede, com a alegação de que o cidadão não deve utilizar este espaço para "prejudicar a segurança e honra do Estado", "derrubar o sistema do socialismo" ou "inventar ou proliferar informações falsas para modificar a ordem econômica e social".

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