República Tcheca não tem pressa para adotar euro, impopular entre a população

Gustavo Monge.

Praga, 19 out (EFE).- A campanha para as eleições legislativas na República Tcheca expôs os receio da adoção do euro no país, que se destaca frente aos parceiros comunitários em crescimento e criação de emprego.

De fato, a República Tcheca é o membro da União Europeia (UE) com a taxa mais baixa de desemprego, com 3% no segundo trimestre, um nível próximo ao conceito de "pleno emprego".

Além disso, teve no segundo trimestre um crescimento interanual do PIB de 4,7%, o dobro do registrado na zona do euro.

O favorito para vencer as eleições desta semana, o empresário Andrej Babis, líder e fundador do partido populista Aliança de Cidadãos Descontentes (ANO), se mostrou contra a adoção a curto prazo do euro.

Salvo os social-democratas, para quem as pesquisas apontam 11% das intenções de voto, a maioria dos partidos é contra, por enquanto, a adoção do euro, e considera que a moeda única pode ter um efeito negativo no crescimento.

Em 2016, a República Tcheca cresceu 2,4%, enquanto a Eslováquia, país vizinho que adotou o euro e cuja economia se baseia, como a tcheca, na exportação, o fez a um ritmo maior, de 3,3%.

Segundo uma pesquisa da agência CVVM, 72% dos tchecos se mostraram contra a adoção do euro, citando o temor a um encarecimento de produtos básicos e alugueis.

"Ainda que a República Tcheca não adote o euro, a economia vai se 'eurizar' espontaneamente, pois muitas transações (das empresas) vão acontecer cada vez mais em euros", explicou Jakub Seidler, economista chefe do ING Bank na República Tcheca.

E cada vez mais empresas pagam suas contas em euros, cotam os seus produtos nessa moeda e recebem nela, enquanto os bancos oferecem empréstimos empresariais em euro.

Isso leva a concluir que a economia tcheca, dominada por um forte setor industrial e pelas exportações, estará cada vez mais atada ao euro, por isso a adoção da moeda terá menos "importância econômica do que política", afirmou Seidler.

Caso a ideia de uma "Europa de duas velocidades" se difunda na UE, e os países fora da zona euro forem uma espécie de parceiros de segunda categoria, "a adoção será ainda mais um tema político", acrescentou o economista.

Ainda que a bonança conjuntural tenha deixado em segundo plano o interesse pelos programas econômicos dos partidos, centrados mais em questões de segurança e migração, na campanha não faltam promessas de melhor gestão e maiores investimentos para os eleitores.

Líder nas pesquisas, o populista ANO quer reduzir o número de ministérios de 16 a 13, cortar as cotas à previdência social e rebaixar o imposto sobre valor agregado (IVA) de certos alimentos básicos e da cerveja de 21% para 10%.

Os social-democratas, em segundo nas intenções do voto, prometem chegar a 2022 com um salário bruto médio de 1.600 euros e um salário mínimo de 640 euros.

Esse partido confia que o aumento do salário mínimo, como as políticas de investimento, provocarão um efeito de alta em todas as faixas salariais - o salário médio é de cerca de mil euros.

Esse caminho também é aprovado pelos sindicatos, ligados aos partidos da esquerda, que ressaltam as diferenças entre os valores recebidos por funcionários nos países ocidentais da UE e nos países ex-comunistas pelas mesmas funções.

Como exemplo, geralmente citam a Alemanha, onde o salário médio está na faixa de 3.700 euros, quase quatro vezes acima do salário médio tcheco.

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