"Paris Hilton russa", Ksenia Sobchak anuncia candidatura à presidência

Anush Janbabián.

Moscou, 20 out (EFE).- O anúncio da jornalista e apresentadora de televisão Ksenia Sobchak - chamada pela imprensa da Rússia como a versão local de Paris Hilton - de que concorrerá à presidência do país nas próximas eleições, em março de 2018, deu um toque de glamour e intriga a uma campanha que era vista como monótona.

A celebridade russa, que durante anos apresentou o polêmico e popular reality show "dom-2", anunciou sua decisão em uma carta aberta no jornal "Vedomosti" e em um vídeo no YouTube.

O "Vedomosti" foi o primeiro jornal russo a sugerir em setembro que a famosa, prestes a completar 36 anos, poderia participar da corrida presidencial russa para animar a campanha eleitoral de 2018.

Dentro do governo era cogitada a possibilidade de uma mulher se apresentar como rival do presidente Vladimir Putin nas eleições, como o jornal escreveu em 1º de setembro, citando fontes próximas ao Kremlin.

Entre as possíveis candidatas, o "Vedomosti" mencionou os nomes de várias políticas. No entanto, afirmava que também foi "pactuada" outra candidatura, a de uma mulher que não representa nenhum partido, mas que é amplamente conhecida pelo público russo, Ksenia Sobchak, que encarna a imagem de uma mulher jovem e moderna que quer participar da política.

Filha do ex-prefeito de São Peterburgo e ex-chefe e mentor de Putin, Anatoli Sobchak, falecido em 2000, Ksenia durante anos foi a "menina mimada" do poder. Mas em 2011 e 2012 surpreendeu ao aparecer à frente, junto com vários líderes da oposição extraparlamentar russa, dos protestos em massa contra as irregularidades nas eleições parlamentares e presidenciais.

Desde então, a apresentadora, formada em relações internacionais, se dedicou a apagar a imagem de "Paris Hilton russa" e iniciar uma carreira de jornalista e opositora, chegando a trabalhar no único canal de televisão independente da Rússia, "Dozhd", para mostrar a seus detratores que de boba ela não tem nada.

Ao comentar o anúncio de Ksenia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, apontou que "ela tem muito talento e adquiriu experiência em diferentes campos nos últimos anos", mas ainda não revelou suas convicções políticas.

Peskov respondeu às especulações quanto à candidatura ser promovida secretamente pelo Kremlin e negou qualquer relação da presidência com os planos políticos da apresentadora.

A própria Ksenia disse recentemente que tinha comunicado suas intenções ao presidente russo e que ficou com a impressão de que Putin "não gostou" da ideia.

Ao mesmo tempo, o presidente russo disse a ela que "qualquer um tem o direito de tomar suas decisões e se responsabilizar por elas".

"Recebemos esta notícia com um sorriso, mas ainda não sabemos bem se é um sorriso irônico ou triste", disse o comunista Ivan Melnikov, vice-presidente da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo.

Por sua vez, o dirigente da esquerda radical Serguei Udaltsov, que recentemente recuperou a liberdade após cumprir quatro anos e meio de prisão por participar em distúrbios antigovernamentais, opinou que por trás da decisão de Ksenia "se vê de longe a mão do Kremlin".

Mikhail Kasianov, ex-primeiro-ministro da Rússia e cofundador, ao lado de Boris Nemtsov, do partido Parnas, não foi tão taxativo e afirmou que se "Ksenia tiver a força e vontade necessárias" para embarcar nessa travessia, ele não via "contra-indicações".

A jornalista, que pode se tornar a candidata mais jovem ao Kremlin, anunciou ontem que concorreria nas eleições como uma alternativa "contra todos".

Segundo Mikhail Khodorkovski, ex-magnata do petróleo, outrora o homem mais rico do país e atualmente um dos mentores da oposição liberal, Ksenia pode "ajudar as pessoas a compreender a essência das eleições sem se eleger".

Alexei Navalni, o único politico capaz de fazer sombra a Putin, mas inelegível para as eleições de 2018, criticou anteriormente a possível candidatura de Ksenia às eleições na Rússia.

Para Navalni, "é preciso ser consciente de que ela não é uma política e trabalha no mundo do entretenimento, por isso qualquer resultado que obtiver servirá para a sua carreira no 'show business'".

Na história moderna da Rússia, apenas em duas ocasiões mulheres participaram de eleições presidenciais: em 2000, quando Ella Pamfilova, atual presidente da Comissão Eleitoral da Rússia, obteve 1,01% dos votos, e em 2004, quando a dirigente liberal Irina Jakamada conseguiu 3,84%.

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