Trump polemiza ao atribuir aumento da criminalidade no Reino Unido ao islã

Londres, 20 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou polêmica nesta sexta-feira no Reino Unido ao sugerir que o aumento do índice de delitos registrados no país no último ano se deve ao "islã radical".

"Notícia de última hora: 'Os crimes no Reino Unido aumentam 13% em um ano em meio à propagação do terror do islã radical'. Não é bom. Devemos manter os Estados Unidos a salvo!", escreveu Trump em sua conta Twitter.

O Escritório Nacional de Estatística britânico (ONS), informou ontem que o número de delitos violentos aumentou 19% na Inglaterra e em Gales nos 12 meses anteriores a junho de 2017, enquanto o número total de delitos nessas duas regiões subiu 13%.

O ONS se recusou fazer comentários sobre o tweet de Trump, assim como o Ministério de Interior do Reino Unido, ainda que tenha ressaltado que as cifras divulgadas refletem todos os crimes registrados pela polícia, não só os relacionados com o terrorismo islamita.

Segundo os seus dados, dos 664 homicídios ocorridos na Inglaterra e em Gales nesses 12 meses, apenas 35 foram causados pelos três atentados islamitas com vítimas que aconteceram em Londres e Manchester nesse período.

O aumento dos delitos na Inglaterra e em Gales esteve liderado por um aumento de 26% nos crimes com arma branca e de 19% nos ataques sexuais, segundo o ONS.

A deputada da oposição trabalhista, Yvette Cooper, presidente do Comitê de Interior do parlamento britânico, acusou Trump de fomentar o ódio com comentários "ignorantes".

"É assombroso que tenhamos chegado a um ponto em que declarações inflamatórias e ignorantes por parte do presidente dos Estados Unidos são vistas como algo normal", disse Cooper.

Por sua parte, a deputada do Partido Verde, Caroline Lucas, declarou que o "reacionário tweet de Trump não só é inexato, mas também é inflamatório", e pediu à primeira-ministra, a conservadora Theresa May, que "condene publicamente" as palavras do governante americano.

Em 2015, Trump já havia causado controvérsia ao dizer que o Reino Unido tem "um enorme problema com os muçulmanos" e assegurar que algumas áreas de Londres estão "tão radicalizadas" que a polícia "teme pelas suas vidas" ao entrar nelas.

O então premiê britânico, o também conservador David Cameron, descreveu os comentários como "divisivos, de pouca ajuda e, simplesmente, errôneos".

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