Ex-diretor da Odebrecht no Peru espera acordo que evite "dupla perseguição"

Lima, 22 out (EFE).- O ex-diretor da Odebrecht no Peru Jorge Barata espera assinar um acordo de colaboração com o Ministério Público do seu país que evite uma "dupla perseguição" judicial, revelou o seu advogado neste domingo.

O advogado Carlos Kauffmann explicou ao jornal "La República" que "Barata está disposto a colaborar, sempre e quando se proporcionem as condições para a realização de um acordo de colaboração que garanta benefícios legais, como aponta a lei peruana".

O Ministério Público do Peru investiga o destino de US$ 29 milhões de supostamente foram entregues pela Odebrecht como suborno entre os anos de 2005 e 2014, pelos quais já foram denunciados os ex-governantes Alejandro Toledo (2001-2006) e Ollanta Humala (2011-2016), como possíveis receptores de pagamentos ilegais.

Barata foi chefe da construtora no Peru durante esse período e, inicialmente, contou à Justiça peruana sobre as contribuições feitas à campanha de Humala e sobre o suborno pedido por Toledo para que a Odebrecht se adjudique fizesse a Estrada do Pacífico, que que liga o noroeste do Brasil ao litoral sul do Peru.

O Ministério Público denunciou Barata pelos crimes de lavagem de dinheiro e bloqueou as suas contas bancárias no Peru e então o ex-funcionário deixou de colaborar com a Justiça peruana e apresentou a assinatura de um acordo de delação, tal como fez no Brasil, onde permanece desde o ano passado.

"Barata será processado e julgado no Brasil e não poderia pelos mesmos fatos sofrer uma dupla perseguição penal no Peru. Portanto, para que possa esclarecer o que as autoridades peruanas querem é indispensável a assinatura de um acordo de colaboração", indicou o advogado.

Kauffmann acrescentou que com o acordo será possível ter acesso efetivamente a várias declarações e provas.

As três solicitações do Ministério Público peruano para tomar novas declarações de Barata foram rejeitados pelo Ministério Público do Brasil e agora os esforços são dirigidos a entrevistar o Marcelo Odebrecht para esclarecer se a empresa subornou também o ex-governante Alan García e à ex-candidata presidencial Keiko Fujimori.

García disse que não existe qualquer versão que o assinale como receptor de subornos, apesar de ter sido comprovado que um ex-vice-ministro e alguns funcionários da sua segunda gestão receberam US$ 8 milhões da empresa brasileira.

Já Keiko disse que nem ela nem o partido Força Popular, que tem a maioria no Congresso, receberam dinheiro ilegal, ainda que o seu nome apareça em uma anotação no celular de Marcelo Odebrecht, durante a campanha eleitoral do ano passado.

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