OMS decide anular nomeação de Mugabe como embaixador da Boa Vontade

Genebra, 22 out (EFE).- A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou neste domingo que decidiu anular a nomeação do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, como embaixador da Boa Vontade do órgão.

"Ouvi cuidadosamente todos aqueles que expressaram preocupação e todos os diferentes pontos destacados", disse em um comunicado o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Essa escolha, anunciada na Conferência Mundial sobre Doenças Não Transmissíveis, realizada no Uruguai, gerou muitas críticas da comunidade internacional.

Mugabe tinha sido nomeado embaixador da Boa Vontade para as doenças não transmissíveis na África. O objetivo era que ele influenciasse os políticos da região a dar prioridade a esse tipo de doença, disse Tedros ao anunciar a indicação.

No entanto, as críticas à decisão chegaram rapidamente, tanto de governos - como o do Reino Unido e do Canadá - que são doadores importantes para os programas do órgão, assim como de organizações não governamentais que atuam nas áreas de direitos humanos e saúde.

Quatro dias depois da indicação, Tedros teve que voltar atrás.

"Consultei o governo do Zimbábue e cheguei à conclusão de que essa decisão é do melhor interesse da OMS. Agradeço a todos que me fizeram ouvir suas vozes e compartilharam seus pensamentos. Confino no debate construtivo para ajudar e informar sobre o trabalho para o qual fui eleito", afirmou o diretor-geral da OMS.

Tedros disse que seu objetivo no cargo é criar um movimento global em favor da saúde e que, para funcionar, é preciso a "inclusão de todos". Nesse sentido, defendeu sua ideia de construir uma liderança política para criar unidade sobre a necessidade de levar saúde para todos.

Sem justificar porque escolheu Mugabe, presidente do Zimbábue há 37 anos, um país onde a liberdade política é restrita, Tedros disse que todos devem construir pontes para chegarmos à meta da cobertura universal da saúde no mundo.

Várias ONGs, como a Human Rights Watch, reagiram à indicação, afirmando que a "corrupção de Mugabe dizimou o sistema de saúde do Zimbábue, enquanto ele viaja para o exterior quando precisa de tratamento médico.

Além disso, o governo de Mugabe é acusado de praticar violações aos direitos de alimentação, de reunião de expressão e de reprimir a oposição daqueles que não o apoiam.

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