Milhares de camaroneses anglófonos fogem à Nigéria por repressão do governo

Yaundé, 24 out (EFE).- Pelo menos 10.000 camaroneses fugiram à Nigéria nas últimas semanas devido à tensa situação que o país vive nas áreas anglófonas, onde os cidadãos exigem a volta ao federalismo ou a independência, informaram nesta terça-feira meios de comunicação locais.

A maioria dos camaroneses refugiados foge à região nigeriana de Cross River, no sul da Nigéria e na fronteira com Camarões, onde, segundo o governador da região, está previsto que cheguem cerca de 40.000 refugiados nos próximos dias.

"A Nigéria deve dar as boas-vindas a estes refugiados camaroneses porque este país serve de refúgio aos refugiados nigerianos que fogem dos ataques do Boko Haram", disse a autoridade nigeriana, que informou que está se organizando um acampamento para acolher esta em chegada em massa.

Segundo testemunhos obtidos pela Agência Efe, os camaroneses que fogem à Nigéria provêm das duas regiões de fala inglesa do país, Buea (sudoeste) e Bamenda (nordeste), fogem da opressão que sofrem por parte do exército camaronês, que nos últimos meses reprimiu os protestos independentistas.

Durante as manifestações do último dia 1º de outubro, pelo menos 13 pessoas morreram nas mãos dos agentes de segurança.

Desde novembro do ano passado, a tensão entre o governo camaronês e os cidadãos anglófonos cresceu de forma exponencial e as forças de segurança responderam aos protestos com violência, com pelo menos 15 mortos e mais de 500 detenções.

O governo ordenou então o fechamento de instituições públicas, como centros educativos ou tribunais, nestas áreas e limitou o acesso da população à internet regularmente.

No entanto, o governo nega a existência de um conflito com as partes anglófonas do país e justifica o aumento do segurança devido a "tensões".

Camarões foi colônia inglesa e francesa até 1960, quando se tornou independente de ambas potências e instaurou um Estado federal até a realização de um referendo em 1972, que o reconverteu em um Estado unificado.

Desde então, ambos idiomas são co-oficiais e convivem junto a 250 línguas locais.

No entanto, a minoria anglófona - quase um quarto da população - se queixa de marginalização em relação à maioria francófona quanto à desigual distribuição da riqueza e às distinções de considerar o inglês um idioma secundário, razão pela qual exigem a volta ao federalismo ou a independência destas regiões.

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