Polícia dispersa protestos pré-eleitorais no Quênia com gás lacrimogêneo

Nairóbi, 24 out (EFE).- A polícia do Quênia dispersou nesta terça-feira com o uso de gás lacrimogêneo protestos pré-eleitorais na capital do país, Nairóbi, onde partidários da oposição se manifestaram contra a Comissão Eleitoral, a dois dias da repetição das eleições presidenciais em meio ao clima de crescente tensão.

Centenas de manifestantes saíram às ruas com paus e pedras em sinal de protesto em Kisumu, no oeste do país e reduto da oposição, onde, até o momento, não foram registrados episódios violentos com a polícia.

Os manifestantes, que exigem reformas na Comissão Eleitoral para conduzir eleições limpas na próxima quinta-feira, também ergueram barricadas aos gritos de "sem reformas não há eleições, e sem Raila (líder da oposição) não há paz".

Os partidários da oposição voltaram hoje às ruas depois que o Supremo Tribunal do Quênia anulou o pleito de 8 de agosto por "irregularidades", quando o presidente do país, Uhuru Kenyatta, foi reeleito com 54% dos votos.

No entanto, o líder da oposição, Raila Odinga, que acusa a Comissão Eleitoral de estar por trás das irregularidades que provocaram a anulação dos resultados, se nega a participar da repetição do pleito, alegando que não serão eleições limpas.

Para isso, o opositor convocou um boicote às eleições, apesar de não ter apresentado sua retirada de forma oficial, somente aos meios de comunicação, e, por isso, sua candidatura segue como uma opção para votar.

Odinga disse hoje a seus correligionários que não se manifestem na próxima quinta-feira e que se mantenham afastados das seções eleitorais, de acordo com veículos de imprensa locais, apesar de, anteriormente, ter convocado a população a sair às ruas no dia 26.

Hoje, três cidadãos quenianos apresentaram um recurso ao Supremo pedindo que a repetição das eleições seja suspensa, já que a Comissão Eleitoral do país está dividida e não pode garantir eleições justas e credíveis.

Devido à incerteza, o governo queniano declarou feriado nacional hoje e amanhã, e muitas empresas e organizações pediram a seus funcionários que permaneçam em suas casas pelo temor de que possam acontecer episódios violentos.

O governo de Uhuru Kenyatta assegurou que mobilizará um amplo dispositivo de segurança na próxima quinta-feira para garantir o direito ao voto.

O atual clima de tensão no Quênia, que realizará as eleições sob os olhares atentos da comunidade internacional, gera temor no país, pois existe a possibilidade de ocorrerem episódios de violência após as eleições como em 2007, quando mais de 1.100 pessoas morreram e outras 600 mil foram obrigadas a deixar seus lares.

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