Rússia veta na ONU prolongamento de investigação de ataques químicos na Síria

Nações Unidas, 24 out (EFE).- A Rússia vetou nesta terça-feira no Conselho de Segurança da ONU um prolongamento do mandato do grupo de especialistas internacionais que analisam os ataques químicos na Síria.

O veto russo impediu a adoção de uma resolução proposta pelos Estados Unidos e que recebeu 11 votos a favor, duas abstenções e dois votos contrários.

A Rússia havia solicitado insistentemente a adiação da votação por alguns dias, até que seja divulgado nesta semana o relatório dos especialistas sobre o ataque químico de abril em Khan Sheikhun, na província síria de Idlib, mas não obteve apoio suficiente.

Enquanto isso, os Estados Unidos e os seus aliados insistiam na necessidade de renovar por um ano o mandato do grupo de especialistas antes da publicação desse relatório, com o argumento de que a Rússia se oporia à extensão caso o texto responsabilizasse o regime sírio, aliado de Moscou, pelo ataque.

O embaixador russo, Vasily Nebenzya, acusou os Estados Unidos de mentirem e de forçarem a votação antes do tempo unicamente com o objetivo de "desonrar" a Rússia.

"Vocês estão dividindo artificialmente este Conselho", insistiu Nebenzya, que solicitou uma votação para adiar a adoção da resolução para 7 de novembro, mas que não conseguiu o apoio necessário.

A embaixadora adjunta dos EUA, Michele Sison, defendeu o desejo de seu país de votar nesta terça-feira a continuidade do mecanismo de investigação para permitir que o trabalho continue "sem politização".

O texto foi finalmente submetido à votação e obteve 11 votos a favor, duas abstenções (de China e Cazaquistão) e dois votos contrários, de Bolívia e Rússia, que tem direito a veto.

"A Rússia voltou a demonstrar que fará qualquer coisa para assegurar que o bárbaro regime de (Bashar al) Assad nunca arque com as consequências de seu uso contínuo de armas químicas", lamentou Sison após a votação.

O mandato dos especialistas expira em 16 de novembro, então o Conselho de Segurança ainda tem tempo para tentar voltar a aprová-lo.

A Rússia, que foi muito crítica com os métodos da investigação e colocou em dúvida as conclusões elaboradas, não descartou totalmente dar sinal verde à sua continuidade, mas insistiu que quer poder analisar antes o relatório sobre Khan Sheikhun.

A investigação é conduzida por um mecanismo conjunto da ONU e da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ). O mecanismo foi criado com apoio de Moscou, mas desde então a Rússia sempre protegeu os aliados de Damasco de possíveis sanções pela utilização de armas químicas.

Em 2013, como consequência de um acordo entre Rússia e Estados Unidos, a Síria aceitou a destruição de seu arsenal químico após vários supostos ataques.

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