Conservadores lideram pesquisas na Islândia, mas podem ficar sem maioria

Anxo Lamela.

Copenhague, 27 out (EFE).- O Partido da Independência, liderado pelo conservador Bjarni Benediktsson, atual primeiro-ministro da Islândia, chega às eleições antecipadas deste sábado na liderança das pesquisas, mas com uma vantagem insuficiente para ter uma maioria clara para governar o país.

As pesquisas apontam uma vitória dos conservadores, que dominam a política islandesa, na frente do Movimento de Esquerda Verde, que chegou a estar na frente nos últimos dias. Esses resultados mostram que os partidos de centro serão essenciais para formar maioria.

A última pesquisa publicada pelo jornal "Frettabladid" indica que o Partido da Independência teria 24,1% dos votos, seguido pela Esquerda Verde, com 19,2%. A Aliança Social-Democrata vem no terceiro lugar (14,3%), na frente do Partido Centrista (9,6%) e do Partido Pirata (9,4%). Também entrariam no parlamento o Partido Reformista e o Partido Progressista, com 7,5% e 6,2% dos votos.

O Partido do Povo, com tendências xenofóbicas, estaria pouco abaixo dos 5% dos votos requeridos para conseguir cadeiras parlamentares. É o mesmo caso do Partido Futuro Brilhante.

Foi o Futuro Brilhante o que provocou há um mês a ruptura da coalizão de governo com os conservadores e o Partido Reformista - a mais curta da história do país - ao descobrir que o primeiro-ministro tinha ocupado que seu pai recomendou que fosse "restituída a honra" de um amigo condenado por pedofilia.

A restituição da honra é um procedimento legal, abolido pelo parlamento da Irlanda há algumas semanas, que permitia que pessoas condenadas por crimes graves fossem candidatas ou atuassem como advogados se tivessem cartas de recomendação.

Esse não foi o único escândalo contra o primeiro-ministro nos últimos meses. Um jornal revelou que Benediktsson pode ter usado informação privilegiada para se livrar de ativos de mais de 1,3 milhão de euros em um fundo de investimentos do banco Glitnir, pouco antes de o governo intervir na instituição em 2008.

Então deputado e membro da Comissão de Finanças do Parlamento, Benediktsson negou saber os planos do governo - que era controlado por seu partido - e de ter cometido qualquer crime.

A situação piorou quando o holding que controla o Glitnir entrou com um requerimento para conter as notícias sobre o caso, alegando uso de informação confidencial, um pedido que foi aprovado no distrito de Reykjavik e muito criticado em todo o país.

Mas, apesar dos escândalos, o Partido da Independência recuperou a liderança nas pesquisas, amparado no bom desempenho da economia, nos ataques à política fiscal da Esquerda Verde e a condição de força hegemônica que só perdeu as eleições de 2008, após a crise.

Esse pleito foi vencido pela Aliança Social-Democrata, que formou o primeiro governo de esquerda desde a independência do país em 1944, mas os duros ajustes fiscais promovidos pelo governo de Johanna Sigurdardóttir provocaram sua queda quatro anos depois.

E a crise continuou no pleito de 2016, quando os sociais-democratas conseguiram apenas 5,8% dos votos, um quinto do apoio obtido em 2009. No entanto, as pesquisas colocam o partido agora como terceira força, na frente do Partido Pirata.

A Esquerda Verde, a Aliança Social-Democrata e os Piratas poderão reeditar uma aliança que já comanda Reykjavik, capital do país. No entanto, segundo as últimas pesquisas, eles não atingiriam as 32 cadeiras que garantem a maioria absoluta do parlamento.

O Partido da Independência, por sua vez, precisará reunir todo o espectro de centro-direita, que inclui três legendas.

Entre elas está a possível sensação das eleições, o Partido Centrista, do ex-primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson, cuja trajetória é um reflexo da situação política recente.

Gunnlaugson foi primeiro-ministro em 2013, graças à popularidade por se opor aos acordos com o Reino Unido e a Holanda no caso do banco Icesave e também por rejeitar a entrada na União Europeia.

Três anos depois, ele foi obrigado a renunciar pelas citações no escândalo do Panamá Papers. O ex-premiê tinha depositado quase US$ 4 milhões em bônus de bancos islandeses em uma empresa de fachada nas Ilhas Virgens, o que representou o fim do governo e nova eleição.

Mas, depois de parecer um "cadáver político", Gunnlaugson soube se reinventar e pode ser o diferencial nas duras negociações pós-eleitorais que ocorrerão para formar o governo.

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