Alemanha comemora os 500 anos da Reforma Protestante

Rodrigo Zuleta.

Berlim, 31 out (EFE).- A Alemanha comemora nesta terça-feira com atos religiosos e institucionais e uma jornada de festas os 500 anos da Reforma Protestante, acontecimento que mudou a Europa e que foi fundamental no desenvolvimento da identidade do país.

Os atos principais acontecerão nesta tarde em Wittenberg, primeiro com um serviço religioso ecumênico e depois com uma cerimônia na qual falará a chanceler alemã, Angela Merkel.

As comemorações de hoje põem fim ao denominado "Ano Lutero", em homenagem ao reformador Martinho Lutero, que foi repleto de exposições e conferências.

A cidaide de Wittenberg foi fundamental na história da Reforma Protestante, já que, segundo a tradição, foi lá onde Lutero, em 31 de outubro de 1517, escreveu as suas 95 teses, que questionavam abertamente a venda de indulgências por parte da Igreja Católica.

A tese central era a de que a salvação era obtida através da fé e da graça, e não através das obras, de modo que era possível comprar indulgências para a Igreja - com o intuito de diminuir o tempo de permanência no purgatório - era algo que não fazia sentido.

A venda de indulgências era para Lutero um fator de corrupção no catolicismo e sua ideia era devolver o cristianismo às suas origens, para as quais a única fonte deveria ser os textos bíblicos.

Em 1521, quando a divulgação das teses - graças à recente invenção da imprensa - já era enorme, Lutero foi levado pelo imperador Carlos V às cortes de Worms (oeste da Alemanha), onde recusou se retratar.

Lutero se refugiou depois em um castelo perto de Eisenach, o Wartburg, um dos locais mais emblemáticos da Alemanha, onde traduziu o Novo Testamento para o alemão.

A tradução do novo testamento, e posteriormente de toda a bíblia, tinha um objetivo principalmente teológico, mas teve efeitos colaterais que foram além do meramente religioso.

O texto, em primeiro lugar, fixou a norma do alemão moderno e foi fundamental para a unificação do idioma. Isso por si só faz de Lutero um dos personagens mais importantes da história da Alemanha, à margem da sua influência religiosa, e o transformou numa figura de identificação nacional.

Além disso, o desejo de que todo cristão lesse diretamente a bíblia fez com que, nas zonas onde o protestantismo se impôs, houvesse um grande impulso na educação.

Durante muito tempo, devido à influência do livro clássico de Max Weber "A ética protestante e o espírito do capitalismo" (1907), se teve a ideia de que uma atitude especial perante o trabalho derivada da reforma foi a chave do desenvolvimento da economia nas zonas protestantes.

Não obstante, pesquisas mais recentes, como as realizadas pelo historiador econômico David Cantoni, da Universidade de Munique, sugerem que não foi uma ética determinada, mas o fomento da educação o que trouxe como efeito secundário a ascensão da economia em parte das zonas protestantes.

O mesmo crescimento da educação teve outros efeitos - não necessariamente desejados por Lutero - como o surgimento da ilustração alemã que, além disso, foi impulsionada pelo debate teológico, muito mais livre dentro do protestantismo do que no catolicismo.

Até o século XX, a separação entre católicos e protestantes na Alemanha era bastante radical e inclusive os casamentos mistos eram exceção. Com o ecumenismo, isso ficou para trás.

Hoje, católicos e protestantes se veem como aliados, apesar de ainda persistirem algumas diferenças teológicas.

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