Investigação sobre relação entre Berlusconi e a máfia é reaberta na Itália

Em Roma

  • Alessandra Tarantino/AP

     Ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi

    Ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi

A Justiça da Itália reabriu nesta terça-feira uma investigação sobre a relação entre o ex-primeiro-ministro do país Silvio Berlusconi e atentados cometidos pela máfia em 1993, que causaram a morte de dez pessoas.

Um juiz de Florença autorizou a reabertura da investigação solicitada pela promotoria local a partir da interceptação de uma conversa do ex-chefe da máfia Giuseppe Graviano.

Nessa conversa entre Graviano e um companheiro de prisão, interceptada em 2016 e cujo conteúdo foi revelado em junho, o ex-chefe da máfia comenta sobre um favor a Berlusconi.

"Berlusca me pediu esse favor. Por isso havia pressa", disse.

Os jornais "La Repubblica" e "Corriere della Sera" indicam que a reabertura do caso tem relação com a investigação do vínculo do ex-premiê com a ordem de realização dos atentados.

Giuseppe Graviano e seu irmão, Filippo, assumiram o controle da Cosa Nostra, a máfia siciliana, junto com outros cinco mafiosos, após a prisão de Totò Riina em janeiro de 1993. Eles então decidiram promover uma queda de braço com o governo italiano.

Atentados deixaram 10 mortos

Como resultado dessa disputa, Florença, Milão e Roma foram palcos de sangrentos atentados que deixaram dez mortos, 93 feridos e muitos danos materiais. No entanto, os irmãos Graviano foram presos no ano seguinte, em 1994, e seguem detidos desde então.

Não é a primeira vez que Berlusconi é acusado de ter vínculos com a máfia. Em 2009, o ex-mafioso Gaspare Spatuzza relacionou o ex-primeiro-ministro com a liderança da Cosa Nostra nos anos 1990.

A denúncia foi feita na época durante uma audiência realizada em Turim para julgar o então senador do Partido do Povo da Liberdade (PDL) Marcello Dell'Utri.

Tanto o "La Repubblica" como "Corriere della Sera" afirmaram hoje que a investigação também afeta o ex-senador Dell'Utri, braço direito de Berlusconi, que desde 2014 cumpre uma pena de sete anos de prisão por associação mafiosa.

Segundo Spatuzza, Giuseppe Graviano, da máfia dos Brancaccio, de Palermo, lhe falou sobre Berlusconi em 1994 e disse que negociava com ele um acordo eleitoral entre a máfia e o Partido Forza Itália, do então ex-primeiro-ministro, em troca de ajuda para resolver seus problemas com a Justiça.
 

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