Síria e oposição não conseguem acertar troca de prisioneiros em Astana

Astana, 31 out (EFE).- O regime de Bashar al-Assad e a oposição síria foram incapazes de chegar a um acordo para o troca de prisioneiros de guerra nesta terça-feira, um dos pontos principais da agenda na sétima rodada de negociações de Astana (Cazaquistão).

A oposição disse que o Executivo em Damasco resistiu em aceitar a ideia de que representantes do Crescente Vermelho tenham acesso aos presídios para comprovar as condições dos prisioneiros e o seu número exato. Os dois também não se entenderam sobre o acesso irrestrito de ajuda humanitária às zonas submetidas ao cerco durante a realização de consultas na capital cazaque com mediação dos três países fiadores do cessar-fogo no final de 2016: Rússia, Turquia e Irã. Além disso, não houve avanço sobre a retirada de minas e sobre um possível cessar-fogo em todo o território sírio, com a exceção das zonas sob o controle do Estado Islâmico e a Frente da Conquista do Levante.

As consultas de hoje deveriam ter servido de base para o avanço no acerto político das negociações de paz convocadas para 28 de novembro em Genebra pelo mediador da Organização das Nações Unidas (ONU), Staffan de Mistura. Porém, os participantes só reiteraram no comunicado final das consultas a disposição de continuar combatendo o terrorismo nas zonas desmilitarizadas e no resto do país. O "reforço e o apoio ao cessar-fogo" também foi debatido, mas prazos concretos não foram definidos.

O documento final destaca a "significativa redução da violência" como resultado da criação de quatro zonas desmilitarizadas, principal conquista da rodada anterior de reuniões em Astana.

"Existem resultados positivos. As zonas de segurança ajudaram muito a estabilizar a situação no país e criar condições para a transição gradual a um processo de acerto político", afirmou o negociador russo, Alexander Lavrentiev.

Embora tenha reconhecido que o Exército sírio, com ajuda da aviação russa, ainda não conseguiu sufocar todos os focos de resistência jihadista nessas quatro áreas, o negociador está confiante em acabar com o terrorismo na Síria em no máximo dois meses.

Entre os aspectos pendentes, também não houve consenso sobre a convocação do Congresso dos Povos da Síria - ou Congresso de Diálogo Nacional - proposto pelo presidente russo, Vladimir Putin, para que os sírios acordem o conteúdo da nova Constituição e convoquem eleições. O próximo dia 18 foi citado como data para tal reunião, que seria realizada em Sochi, mas alguns opositores consideraram que essa iniciativa vai contra os Acordos de Genebra.

"O congresso foi pensado como um passo para ampliar o número de participantes do processo negociador, ao incluir representantes de todos os grupos étnicos e religiosos que habitam a Síria", afirmou o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Sem um acordo definitivo, a Rússia já convidou mais de 30 grupos étnicos, entre eles três organizações curdas. A oposição síria recebeu com ceticismo a iniciativa, considerada ambígua, mas o Executivo em Moscou pediu à oposição armada para aceitar o convite, já que, se não concordarem, correm o rico de ficar fora processo de paz.

De acordo com o ministro de Relações Exteriores do Cazaquistão, Kairat Abdrakhmanov, uma próxima rodada de negociações acontecerá na capital do país na segunda metade de dezembro.

Ao término das consultas, o chefe negociador da delegação de Damasco, Bashar Jaafari, considerou que as reuniões foram produtivas, já que foram debatidos assuntos como a invasão de território sírio por tropas turcas. Ele ressaltou que a incursão turca, além de ser uma "agressão" - o mesmo adjetivo usado para qualificar a presença militar dos Estados Unidos e de seus aliados -, representa uma flagrante violação dos acordos de Astana-6 nas zonas desmilitarizadas.

Jaafari lembrou que na sexta rodada de Astana foi acertado que a Turquia só utilizaria "forças policiais" e apenas em zonas determinadas, fato que fez Damasco se surpreender quando Ancara enviou tropas regulares com armamento pesado.

Segundo o Kremlin, Putin abordará a situação da Síria amanhã em Teerã com o presidente iraniano, Hassan Rouhani, e o aiatolá Ali Khamenei. Recentemente, Putin afirmou que o Exército sírio libertou mais de 90% do território nacional com ajuda da aviação síria, enquanto o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Choigu, antecipou que a intervenção militar russa no país árabe está chegando ao fim. EFE

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(foto) (vídeo)

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