Casa Branca nega que Trump tenha politizado atentado em Nova York

Washington, 1 nov (EFE).- A Casa Branca negou nesta quarta-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha politizado o atentado de ontem em Nova York, apesar das suas críticas ao senador democrata Chuck Schumer, e dos laços que estabeleceu entre o ataque e suas prioridades na política migratórias.

"Não acho que estejamos politizando a conversa, estamos falando de proteger vidas americanas", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, durante sua entrevista coletiva diária.

Trump criticou hoje no Twitter o senador Schumer, líder da minoria democrata na Casa, por ter criado o programa de concessão de vistos a cidadãos de países com baixo histórico de emigrantes, que permitiu ao suspeito do atentado em Nova York, o uzbeque Sayfullo Saipov, entrar legalmente nos EUA em 2010.

Schumer apresentou em 1990 o projeto de lei que permitiu criar esse programa, mas em 2013 fez parte de um coletivo de legisladores conhecidos como o "Grupo dos Oito", que impulsionou uma reforma migratória que teria acabado com esse programa.

A porta-voz de Trump quis deixar claro hoje que o presidente "não culpa o senador Schumer e não sente que o senador seja responsável pelo ataque".

No entanto, criticou o projeto de lei do "Grupo dos Oito", que teria permitido a legalização e eventual cidadania da população indocumentada nos Estados Unidos.

"O (plano do) Grupo dos Oito só teria enfrentado uma parte do problema (...) e teria exacerbado muitas outras partes do problema no nosso sistema migratório", argumentou Sanders, que defendeu, por outro lado,"uma reforma migratória mais responsável como a que propôs o presidente".

Trump delineou em outubro seus princípios para uma futura reforma migratória, que não contemplam a legalização de imigrantes ilegais e buscam limitar a concessão de vistos por meio de um sistema de méritos, além de criar um sistema de pontos para obter a residência permanente.

Schumer acusou hoje o presidente de "politizar e dividir" o país em um momento de "tragédia nacional", e ressaltou em comunicado que "a imigração é boa para os Estados Unidos".

Depois do atentado, Trump demorou pouco a anunciar que tinha ordenado "endurecer" seu sistema de "escrutínio extremo" sobre os imigrantes, uma das suas promessas eleitorais mais polêmicas.

Hoje, o presidente americano pediu ao Congresso para trabalhar para acabar "imediatamente" com o programa que atribui até 50 mil vistos por anos a cidadãos de países com baixo histórico de emigrantes.

Mesmo assim, Sanders ressaltou hoje que Trump não estava aproveitando a ocasião para seus fins políticos, mas simplesmente tinha expressado posições "sobre as quais estava falando há muito tempo".

Entre os que acusaram Trump de politizar o atentado estão também o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, e o prefeito da cidade, Bill de Blasio, ambos democratas.

Trump falou hoje com ambos por telefone e lhes disse que "apoia completamente todos seus esforços em relação ao ataque", segundo disse ele mesmo em um tweet.

O presidente também causou polêmica hoje ao afirmar que o sistema de Justiça atual dos EUA é "uma piada", mas Sanders garantiu que Trump só estava expressando sua "frustração" com o "longo processo " necessário para julgar os terroristas "em um caso como este".

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