Cerrado brasileiro receberá "santuário" para preservação de felinos selvagens

Victor Pennington.

Brasília, 1 nov (EFE).- Bordô, um jovem puma macho capturado quando era filhote, se transformará no primeiro animal da sua espécie que será solto em uma fazenda do cerrado brasileiro, um lugar que por iniciativa privada e apoio do governo se tornará um "santuário" para a preservação de felinos selvagens.

O puma, que recebeu o nome de Bordô pela cor grená da tinta com a qual foi marcado para sua identificação, chegou na terça-feira passada a Brasília para passar por exames antes de ser devolvido ao seu habitat natural.

A suçuarana ou onça parda, como são chamados os pumas "brasileiros", espera o aval dos veterinários e da equipe de especialistas para retornar à natureza no ecossistema do cerrado, a amplia savana da região centro-oeste no estado de Goiás.

O trabalho de reintegração do felino ao seu habitat natural está sendo coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) e contou com o apoio das ONGs NEX e Brasília é o Bicho.

Depois de vários meses de permanência em uma fazenda de Unaí, cidade do sudeste estado de Minas Gerais e onde foi capturado quando ainda era filhote, Bordô chegou a Brasília e foi submetido a uma extensa revisão médica, que determinará quando pode ser levado ao futuro "santuário", situado a cerca de 150 quilômetros da capital.

"Realizamos um procedimento médico veterinário e de exame clínico. Lhe demos um sedativo, colhemos sangue para saber se o animal está bem e uma ultrassonografia também, uma revisão geral e tudo vai bem", afirmou à Agência Efe o veterinário Thiago Luczinski, voluntário da NEX, ONG que atua na defesa de animais silvestres.

O processo é realizado no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília, organismo que em 2016 recebeu nas suas sedes de todo o país 39.637 animais silvestres, dos quais 78% foi devolvido ao seu habitat natural.

O trabalho de revisão médica do puma é acompanhado pela fazenda Veredas do Cerrado, propriedade do empresário Caio Freitas e lugar que tem uma tradição de preservação da natureza há42 anos, quando foi adquirida pelo pai do atual dono.

Freitas busca transformar o lugar, que já faz parte de pesquisas e estudos sobre o ecossistema do cerrado, em um "santuário" para receber felinos selvagens que por diversas razões foram retirados do seu habitat natural nas diferentes regiões do país.

Biólogos e veterinários estudam há dois anos o terreno de 300 hectares que receberá os felinos ameaçados e Bordô deverá ser o primeiro a habitar o lugar, um amplo espaço dotado de fontes de água natural e alimentos.

Outros pumas e jaguares já habitam o ecossistema do cerrado, do qual faz parte a fazenda.

"Uma coisa interessante que fizemos foi que, como este animal vai ser solto, necessitávamos ter uma identificação visual dele, porque será vigiado por câmeras", explicou Luczinski.

De acordo com o veterinário, a identificação com "duas marcas laterais com tinta de cabelo, para não macucar o animal quando mudar de pelagem e que desaparecerá quando essa mudança acontecer, não vai agredir o animal e ele vai ter uma vida normal".

"Será algo temporário, para que possamos identificá-lo nas câmeras, caminhando, e, se tudo correr bem, podemos visualmente verificar se ele está magro ou engordou. Então essa marca é importante para nós", detalhou Luczinski.

Antes de ser submetido aos testes de urina, de sangue, do coração, da pressão e de ultrassom em Brasília, o animal teve no trajeto entre Minas Gerais e Goiás seu primeiro contato com a savana brasileira.

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