Justiça despreza denúncia contra Macri por instigar suicídio de deputada

Buenos Aires, 1 nov (EFE).- Um promotor da Argentina desprezou uma denúncia contra o presidente do país, Mauricio Macri, por supostamente instigar uma tentativa de suicídio da deputada kirchnerista do Parlamento do Mercosul, Milagro Sala, que está na prisão desde janeiro de 2016, informou nesta quarta-feira o Ministério Público argentino.

A defesa de Sala apresentou a denúncia quando a ativista se autoinfligiu lesões no último dia 19 de outubro, apenas cinco dias depois de retornar a uma prisão da província de Jujuy, por considerar que sua cliente é vítima de uma perseguição política e judicial impulsionada pelo chefe de Estado e o governador provincial, o governista Gerardo Morales.

A ativista, líder da organização kirchnerista Tupac Amaru, tinha permanecido 44 dias em regime de prisão domiciliar, mas o juiz Pablo Pullen a devolveu ao centro penitenciário da província de Jujuy onde encontrava-se anteriormente.

O magistrado considerou que Sala tinha descumprido as condições estabelecidas para que sua saúde estivesse bem atendida e decretou que necessitava de "atendimento médico imediato", algo que, segundo ele, só podia receber na prisão.

Segundo o documento apresentado pelo seu advogado, Alejandro Garfagnini, as feridas que Sala se autoinfligiu ao voltar à unidade de mulheres de Jujuy foram consequência do "agravamento das condições de detenção" e da "intensificação da perseguição política montada" contra a ativista, à espera de julgamentos por diferentes causas.

A denúncia apresentada contra Macri e contra o ministro de Justiça e Direitos Humanos argentino, Germán Garavano, e Gerardo Morales, incluía também as lesões feitas que se autoinfligiu também a ativista Mirta Guerrero, companheira de Sala em Tupac Amaru, presa no mesmo centro.

Segundo o advogado de defesa, as decisões políticas de Macri influenciaram nas lesões que Sala e Guerrero se provocaram.

No entanto, o promotor Jorge Di Lello opinou que "as circunstâncias expostas não resultam suficientes para sustentar o impulso da ação penal".

Para que houvesse atribuições penais, segundo indicou, deveria existir um "comportamento doloso e direto" que "não se observa" nos atos de Macri, Garavano e Morales.

Dei Lello destacou ainda que serão os "tribunais que ordenaram a privação da liberdade" de Sala e Guerrero que deverão abordar a resposta jurídica.

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