Procurador venezuelano abre investigação a opositores por boicote às eleições

Caracas, 1 nov (EFE).- O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou nesta quarta-feira que abrirá uma investigação contra os líderes opositores que decidiram não comparecer às eleições municipais de dezembro por não confiar no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e que, afirma, podem estar cometendo crime de "conspiração".

Saab explicou que, baseado no Código Penal, o Ministério Público "está preparando" uma "investigação formal contra vários cidadãos que fizeram este chamado público não só para ignorar as instituições de maneira sistemática e reiterada, mas também de banhar de sangue este país através de um clima de violência".

O procurador fez esta declaração pouco depois de o dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) Jorge Rodríguez pedir medidas contra os partidos opositores que anunciaram que não participarão das eleições municipais.

Segundo Saab, os opositores que não concorrerão ao pleito - que se comprometeram a fazer o possível para renovar o CNE, mas até o momento não convocaram boicote às eleições - poderiam ser acusados de "conspiração" e "instigação à desobediência".

Partidos opositores como o Vontade Popular (VP), de Leopoldo López, e o Primeira Justiça (PJ), do duas vezes candidato à presidência do país Henrique Capriles, descartaram participar das eleições para prefeito ao considerarem que não existem as garantias mínimas para uma votação justa e livre.

A aliança opositora da qual fazem parte, a Mesa da Unidade Democrática (MUD), denunciou várias irregularidades e casos de fraude nas eleições regionais do último dia 15 de outubro, nas quais o chavismo obteve o governo de 18 dos 23 estados da Venezuela, segundo resultados oficiais - que a oposição não reconhece.

Saab alertou que as "vozes isoladas, mas perigosas" da oposição estão tentando reativar, com suas críticas à CNE, os protestos de rua que o país viveu entre abril e agosto, nos quais houve confrontos quase diários com as forças da ordem que deixaram mais de 120 mortos.

O procurador - cuja legitimidade não é reconhecida por colegas da região por ter sido nomeado por uma Assembleia Nacional Constituinte que qualificam de fraudulenta - recriminou a oposição por não ter apresentado denúncias no Ministério Público pelas supostas irregularidades cometidas pela CNE nas eleições regionais.

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