Cuba acusa EUA de mentirem sobre ataques acústicos contra diplomatas

Washington, 2 nov (EFE).- O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, garantiu nesta quinta-feira que não houve "nenhum ataque" acústico contra os diplomatas americanos em Cuba e acusou os Estados Unidos de mentirem para "prejudicar a relação bilateral".

"Posso afirmar categoricamente que quem afirma que houve ataques, atos deliberados ou incidentes específicos como causa destes danos de saúde, mente deliberadamente", declarou Rodríguez em entrevista coletiva em Washington.

"Estão utilizando estes danos de saúde como pretexto de natureza política, com objetivos políticos, para eliminar os progressos alcançados e prejudicar a relação bilateral" entre Estados Unidos e Cuba, acrescentou o ministro.

Ao ser perguntado se acusa o governo de Donald Trump de inventar os ataques que, segundo Washington, causaram sintomas físicos a pelo menos 24 diplomatas americanos, Rodríguez se limitou a indicar que a certeza é que "não ocorreu nenhum ataque".

"Se o governo dos EUA opina o contrário, o convido a apresentar evidências. Pode excluir absolutamente a possibilidade de alguém ter realizado atos deliberados contra o pessoal americano credenciado em Havana e seus parentes", ressaltou.

O ministro de Relações Exteriores cubano baseou essas afirmações na investigação sobre os fatos das autoridades cubanas, que "concluíram preliminarmente que não existe evidência alguma sobre a ocorrência dos alegados incidentes".

Rodríguez garantiu que segundo "especialistas médicos" é "impossível que uma só causa explique a diversidade de sinais e sintomas médicos apresentados por tais diplomatas".

"Esses sintomas de saúde não podem se dever a uma só origem ou a um só fato. Chama poderosamente a atenção então que o governo dos Estados Unidos siga falando de 'ataques' e 'ataques acústicos' e tome medidas punitivas contra Cuba quando está provado pericialmente que isto não é possível", afirmou.

Por causa dos supostos ataques, o Departamento de Estado americano retirou mais da metade dos profissionais de Havana, expulsou dois terços dos funcionários da embaixada cubana em Washington e recomendou aos americanos que não viajem a Cuba.

"As medidas adotadas contra Cuba são injustificadas e politicamente motivadas, não se baseiam em evidências nem em resultados investigativos", ressaltou.

Rodríguez advertiu que se o governo americano não deixar de "politizar" o tema dos supostos ataques, isso "pode provocar uma escalada e fazer retroceder ainda mais as relações bilaterais, com consequências prejudiciais para ambos os povos e países".

Durante a visita a Washington, o ministro se reuniu nesta quinta-feira com "mais de uma dúzia de senadores e congressistas", os quais não quis identificar, além de "empresários e representantes de centros acadêmicos", mas não teve nenhum encontro com o governo de Trump.

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