Indicado por Trump para cargo no governo renuncia por laços com investigado

Washington, 2 nov (EFE).- Sam Clovis, ex-assessor de campanha e indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para um cargo no alto escalão do Departamento de Agricultura, renunciou a esta nomeação depois que vieram à tona suas conexões com um dos indivíduos acusados formalmente na investigação sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais americanas de 2016.

Clovis, por outro lado, também tinha recebido críticas por sua falta de credenciais científicas para ocupar o cargo ao qual tinha sido indicado por Trump, o de subsecretário para Pesquisa, Educação e Economia do Departamento de Agricultura.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, confirmou nesta quinta-feira a desistência de Clovis, que foi comunicada a Trump por carta nesta quarta-feira.

No texto, Clovis explica que "o clima político em Washington torna impossível" para ele ser avaliado de forma "equilibrada e justa" na sabatina do Senado, que é o órgão encarregado de avaliar e aprovar as indicações para esses cargos.

Clovis se viu atingido pelas recentes revelações da investigação sobre a possível interferência russa nas eleições de 2016, em particular por sua relação com George Papadopoulos, que foi indiciado pela Justiça americana após declarar-se culpado de mentir sobre seus contatos com indivíduos vinculados a Moscou.

Segundo documentos judiciais relativos a essa declaração de culpabilidade, Clovis foi um dos supervisores de Papadopoulos, que foi assessor de política externa na campanha de Trump.

Trump minimizou o papel de Papadopoulos em sua equipe de campanha, ao afirmar que ele era um "voluntário do baixo escalão", mas há relatos na imprensa de que ele manteve contato frequente com nomes do primeiro escalão do comitê da campanha presidencial e tentou programar uma reunião do magnata com o presidente russo, Vladimir Putin.

Paul Manafort - ex-chefe de campanha de Trump - e seu ex-sócio Rick Gates se entregaram na segunda-feira ao FBI depois que foram indiciados na investigação sobre a ingerência russa, liderada pelo procurador especial Robert Mueller, por 12 acusações relacionadas com crimes financeiros.

Essas acusações não estão vinculadas ao trabalho que ambos desempenharam na campanha de Trump. O presidente dos EUA, por sua vez, garantiu ontem, em uma conversa com uma jornalista do "New York Times", que está tranquilo e que a investigação de Mueller não tem "nada a ver" com ele.

A investigação dirigida por Mueller desde maio pretende determinar se houve ingerência russa nas eleições de 2016 nos EUA e algum tipo de "conluio" entre o Kremlin e a campanha de Trump.

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