Irã lembra tomada da embaixada dos EUA com chamadas à "resistência"

Marinha Villén

Teerã, 4 nov (EFE).- Milhares de iranianos se reuniram neste sábado diante da antiga embaixada dos Estados Unidos, no centro de Teerã, para advertir ao presidente americano, Donald Trump, que da mesma forma que em 1979 não sucumbirão às ameaças e às sanções.

A comemoração do ataque à embaixada, realizado há 38 anos por estudantes islâmicos, esteve marcada neste ano pela renovada política anti-iraniana de Trump e suas ações para debilitar o acordo nuclear assinado entre o Irã e as seis grandes potências.

"Mantenha a calma e se cale Trump" e "Vá para o inferno" eram algumas das frases estampadas nos cartazes dos manifestantes.

Alguns manifestantes lembraram que as novas gerações seguem sendo tão combativas como os estudantes que em 1979 atacaram a embaixada, o que desencadeou a ruptura de relações diplomáticas entre EUA e Irã.

Uma das estudantes que participou desses históricos eventos, Foruz Rayaifar, lembrou que era um dia chuvoso no qual o pretexto das manifestações foi honrar universitários mortos um ano antes pelas mãos das forças de segurança.

"Para nós foi uma sensação de legítima defesa e não de ataque. Cortamos as fechaduras e entramos ao recinto da embaixada", explicou Rayaifar à Agência Efe.

O acesso ao edifício principal levou várias horas pelas fortes medidas de segurança, segundo esta mulher, que devido aos seus conhecimentos de inglês conseguia se comunicar com os reféns americanos, 52 dos quais permaneceram sequestrados durante 444 dias.

Também se dedicou durante esse tempo a traduzir os documentos achados no chamado "Ninho de espionagem", por causa das escutas que a CIA efetuava desde ali.

Esses documentos, junto a máquinas de codificar e de escutas, computadores obsoletos e trituradores de papel, fazem parte do museu que ocupa a antiga legação diplomática e narra com fervor revolucionário os fatos ocorridos.

As autoridades iranianas exigiam a extradição do xá Mohammad Reza Pahlavi, que fugiu aos EUA para realizar um tratamento médico com o triunfo em 1979 da Revolução Islâmica, liderada pelo ímã Ruhollah Khomeini.

A crise dos reféns levou o então presidente dos EUA, Jimmy Carter, a tomar medidas econômicas contra o Irã, como paralisar as importações petroleiras e congelar as contas iranianas em território americano.

Quase quatro décadas depois, Trump impôs várias rodízios de sanções contra os programas armamentísticos de Teerã e autorizou sancionar os Guardiães da Revolução iraniana.

"A postura geral dos EUA perante o Irã segue sendo hostil (..) mas inclusive os críticos do sistema não duvidarão em defender seu país caso que o Irã se encontre em perigo", sublinhou Rayaifar.

Em seu discurso perante a multidão, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Shamjani, assegurou que "o uso de instrumentos falidos de ameaça e sanções não tem nenhuma influência".

Shamjani também disse que o Irã continuará com suas políticas de desenvolvimento das capacidades defensivas e de apoio às Forças Armadas e aos Guardiães da Revolução.

Todas estas declarações seguiram a linha marcada há dois dias pelo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que insistiu que "a resistência é a única via" para enfrentar os EUA.

Khamenei qualificou os EUA de "principal inimigo" do Irã e pediu ao Governo iraniano que não faça concessões perante as medidas de Trump "para sabotar o acordo nuclear".

O pacto, assinado em 2015 entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, Reino Unido, França e China, mais Alemanha) para limitar o programa atômico de Teerã, se mantém no ar depois que Trump ameaçou em 13 de outubro abandoná-lo se não forem corrigidos seus "defeitos".

A tensão entre o Irã e EUA aumentou desde a chegada de Trump à Presidência EFE

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(foto) (vídeo)

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