Abe e Trump abordam problema da Coreia do Norte durante partida de golfe

Antonio Hermosín

Tóquio, 5 nov (EFE).- Os líderes do Japão e dos Estados Unidos, Shinzo Abe e Donald Trump, abordaram neste domingo a crescente ameaça armamentista da Coreia do Norte em um longo encontro enquanto jogavam golfe, na primeira parada da viagem asiática realizada pelo líder da Casa Branca.

Trump chegou neste domingo à base aérea de Yokota (oeste de Tóquio) para iniciar sua viagem de dois dias ao Japão, antes de se deslocar depois à Coreia do Sul, China, Vietnã e Filipinas, em uma excursão que durará até o dia 14, a mais longa empreendida por um presidente americano pelo continente asiático.

O líder republicano destacou a importância estratégica da aliança com Japão, ao qual definiu como "um parceiro forte e capaz", e advertiu que "nenhum regime e nenhum ditador deveriam subestimar a determinação dos EUA", durante um discurso perante as tropas de Yokota.

Trump foi recebido depois pelo primeiro-ministro do Japão em um exclusivo clube de golfe ao norte de Tóquio, onde ambos líderes lancharam juntos antes de disputar uma rodada acompanhados do golfista Hideki Matsuyama, número quatro do ranking mundial.

Embora não tenham sido divulgadas muitas informações sobre este primeiro encontro informal, Abe afirmou que ambos "puderam relaxar" e "mantiveram longas conversas que só se podem ter jogando golfe", nas quais "dialogaram de forma honesta sobre assuntos muito complicados", segundo recolhe a agência local "Kyodo".

O político conservador japonês voltou a apostar assim pela "diplomacia do golfe" para seu reencontro com Trump, no qual quer consolidar a boa sintonia que ambos mostraram nas quatro anteriores reuniões desde que o magnata ganhou as eleições presidenciais americanas.

Trump, por sua vez, afirmou em declarações aos veículos de imprensa a bordo do Air Force One que a ameaça da Coreia do Norte seria um dos "temas principais" de sua viagem, e acrescentou que trata-se "de um dos maiores problemas para os Estados Unidos e para o mundo".

"Os últimos 25 anos foram de fraqueza total, por isso que agora apostamos por um enfoque muito diferente", disse Trump sobre o endurecimento de sua retórica na hora de lidar com o regime liderado por Kim Jong-un.

Coincidindo com a chegada do presidente americano ao Japão, os veículos de imprensa oficiais norte-coreanos advertiram hoje que Pyongyang imporá "um castigo" aos EUA se Trump realizar "atos ou comentários insensatos".

Trump rebaixou sensivelmente o tom contra a Coreia do Norte desde que ameaçou "destruir totalmente" o país em seu discurso perante a Assembleia Geral da ONU em setembro, e em seu discurso de hoje perante as tropas de Yokota evitou se referir de forma direta ao país asiático.

A viagem ocorre em meio a um prolongado silêncio armamentístico de Pyongyang - o último teste aconteceu em 15 de setembro - e depois que a tensão na península da Coreia alcançou níveis inéditos por causa da troca de ameaças entre Washington e o regime norte-coreano e das exibições militares por ambas as partes.

Trump, que durante seus encontros com Abe deve reafirmar a posição comum perante o sigiloso país, também disse que prevê tomar "muito em breve" uma decisão sobre a inclusão da Coreia do Norte entre os países considerados "patrocinadores do terrorismo".

Tóquio e Washington são partidários de aplicar a "máxima pressão" sobre Pyongyang e não descartam a opção militar, embora também não desprezem o diálogo se o regime renunciar aos seus programas armamentísticos.

Abe e Trump jantaram hoje em um prestigiado restaurante de de Tóquio, onde estavam acompanhados de suas respectias esposas, Akie Abe e Melania Trump.

"Vamos ter agora uma importante conversa sobre muitos assuntos, inclusive sobre a Coreia do Norte e comércio e vamos muito bem. (...) A nossa relação é extraordinária. Acredito que nunca estivemos tão próximos do Japão como estamos agora", afirmou o presidente americano na porta do restaurante antes do jantar.

A agenda de Trump no Japão continuará na segunda-feira com uma reunião com os imperadores japoneses, uma cúpula com o primeiro-ministro do Japão e um encontro com parentes de japoneses sequestrados há décadas pelo regime norte-coreano.

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