Comunistas homenageiam Lenin às vésperas do centenário da Revolução

Arturo Escarda.

Moscou, 5 nov (EFE).- Comunistas de todo o mundo prestaram neste domingo homenagens a Vladimir Lenin em seu mausoléu, faltando dois dias para o centenário da Revolução Bolchevique de 1917 e em meio ao debate sobre a conveniência de tirar o corpo mumificado do fundador da União Soviética da Praça Vermelha de Moscou.

"Nenhuma mentira ou provocação mancharão o significado e a grandeza da revolução de outubro", disse o líder dos comunistas russos, Gennady Ziuganov, que se opõe ao enterro de Lenin.

O certo é que a maioria dos russos defende o sepultamento do político que liderou, há um século, a revolução e que tem seu corpo exibido na principal praça do país desde sua morte, em 1924.

Apesar disso, os comunistas encontram no presidente do país, Vladimir Putin, seu maior aliado. Putin prefere deixar as coisas como estão para evitar novas divisões entre os russos.

Nesta semana, o polêmico líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov, recolocou o tema no debate, ao afirmar que o corpo de Lenin já foi "suficientemente visto". "Deve ser enterrado. Isso é o razoável e o humano", escreveu Kadyrov nas redes sociais.

Apesar disso, o líder checheno, que se define como um "fiel soldado de Putin", ressaltou que o ponto final sobre o caso deve ser "posto pelo presidente".

A opositora Ksenia Sobchak, que quer se candidata à presidência da Rússia em março, anunciou que a primeira coisa que fará se for eleita é ordenar o enterro de Lenin.

"Acredito que a Idade Média na qual estamos se deve, entre outras coisas, por termos em pleno século XXI o corpo de uma pessoa na principal praça do país", disse Sobchak em entrevista.

A deputada Natalia Pojlonskaya, do Partido Rússia Unida, liderado por Putin, apoiou a proposta da opositora.

"Ver um corpo no centro da capital é pouco humano", escreveu no Facebook a deputada que ficou famosa como procuradora-geral da Crimeia, região da Ucrânia anexada pela Rússia.

Em abril deste ano, um grupo de parlamentares do Rússia Unida apresentou um projeto de lei para sepultar Lenin, mas pouco depois retiraram seus nomes da proposta, que era apoiada pelo ultranacionalista Partido Liberal Democrático.

Nesta semana, a presidente do Conselho da Federação da Rússia (Senado), Valentina Matviyenko, disse confiar que o corpo de Lenin ainda será enterrado, mas apenas depois da realização de um plebiscito sobre a questão.

Lenin não deixou testamento, mas sua viúva, Nadezhda Krupskaya, que se opôs à exposição do corpo do marido, declarou que ele tinha expressado o desejo de ser enterrado no cemitério de Volkovskoye, em São Petersburgo, onde estão sua mãe e seu irmão.

No meio da discussão e apesar da proximidade do dia do centenário da Revolução Bolchevique, o Kremlin ordenou que o mausoléu onde está o corpo de Lenin fosse fechado ao público.

Os deputados comunistas e seus convidados estrangeiros foram os únicos autorizados a prestar homenagem ao líder da revolução. E também serão os únicos a comemorar, com uma grande manifestação na terça-feira, os 100 anos de um dos principais fatos históricos mundiais, já que o Kremlin não permitirá outras celebrações.

Embora considere a queda da União Soviética como a "maior catástrofe geopolítica do século XX", Putin preferiu ignorar o centenário da revolução, aparentemente para não elevar as tensões sociais no país.

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