Partidos catalães avaliam possibilidade de acordos para eleições de dezembro

Barcelona (Espanha), 6 nov (EFE).- Os partidos da Catalunha estão focados nesta segunda-feira nas possíveis coalizões que serão formadas para a disputa das eleições regionais de 21 de dezembro, enquanto o ex-presidente regional Carles Puigdemont, que é requerido pela Justiça espanhola, permanece na Bélgica em liberdade condicional.

A preferência majoritária dos partidos é se apresentar sozinho para, um dia depois das eleições, iniciar a discussão para eventuais acordos.

Amanhã termina o prazo para a formação de coalizões entre partidos, uma fórmula que nas eleições anteriores se refletiu na coligação 'Junts pel Si' (JxSí, Juntos pelo Sim, em tradução livre), que, com políticos independentistas de centro-direita e de esquerda, e com apoio da esquerda antissistema da CUP, governou desde setembro de 2015 na comunidade autônoma espanhola da Catalunha com um projeto separatista.

Esse projeto, cujo ápice se deu em 10 de outubro com uma declaração de independência unilateral aprovada pelo parlamento autônomo, deu passo para a resposta legal do governo central presidido por Mariano Rajoy que, com a autorização do Senado, destituiu o Executivo catalão, dissolveu seu parlamento e convocou eleições para daqui um mês e meio.

O partido que dominou a política catalã durante décadas e governou entre 1980 e 2003, e desde 2010 até agora, é o CDC, uma força de centro-direita nacionalista que mudou para o independentismo e, em 2016, passou a se chamar PDeCAT, parece ser o único que aposta em reeditar uma coalizão similar à do governo destituído, embora com outro nome.

Além disso, o PDeCAT quer incluir nas candidaturas o destituído presidente regional catalão Carles Puigdemont, que, junto com outros quatro ex-conselheiros de seu gabinete, está na Bélgica em liberdade condicional com medidas cautelares enquanto se resolve o pedido de extradição por parte da Espanha.

Puigdemont e todos os ex-conselheiros do governo independentista da Catalunha poderão se apresentar como candidatos nas eleições regionais, embora alguns deles estejam em prisão provisória, confirmou hoje o ministro da Justiça, Rafael Catalá, que ressaltou que todos têm seus direitos políticos "intactos" e, portanto, podem concorrer no pleito.

O partido que as pesquisas colocam em primeiro lugar é o separatista ERC (republicanos de esquerda), que tem ex-conselheiros em Bruxelas com Puigdemont e outros na prisão acusados de rebelião, entre eles o seu líder e agora ex-vice-presidente regional, Oriol Junqueras.

O porta-voz do ERC, Sergi Sabrià, afirmou hoje que só aceitará uma lista única separatista para as eleições se nela estiverem também o antissistema CUP (seus aliados no processo de secessão) e outros setores da esquerda em defesa da soberania.

Caso contrário, o ERC prefere que haja três listas, a sua e as de PDeCAt e CUP, com pontos programáticos comuns para rentabilizar mais os votos dos seus respectivos espaços.

A condição do ERC parece difícil, já que a CUP, um partido assembleísta, não decidirá sua posição até sábado, e o prazo para formar as coalizões acaba amanhã.

Os republicanos preferem olhar para outros redutos eleitorais para ampliar seu espaço, especialmente depois da crise no Podem (esquerda), o braço catalão do Podemos, cujo líder até agora, Albano Dante Fachin, renunciou por divergências com a direção nacional e se mostra partidário de acordos com o ERC e a CUP, mas não com o PDeCAT.

Entre as forças que rejeitam a independência não há intenção alguma de realizar acordos pré-eleitorais, mas alguns desejam fazê-los depois do dia 21.

O melhor situado nas pesquisas é o Ciudadanos (liberais), que atualmente é a segunda maior força política na Catalunha, que há dias clama por acordos com o PP (centro-direita) e o PSC (socialistas) para que o futuro governo regional catalão respeite a Constituição e abandone suas aspirações soberanistas.

Hoje mesmo, o líder do PP catalão, Xavier García Albiol, garantiu que o seu partido, o PSC e o Ciudadanos têm, por "obrigação", que chagar a um acordo de governo se conseguirem maioria nas eleições.

Não obstante, Albiol manifestou seu temor de que os socialistas prefiram acordos com o ERC e com a esquerda não independentista.

Já os socialistas do PSOE não se pronunciaram a respeito e seu líder nacional, Pedro Sánchez, ressaltou hoje que o pleito autônomo ajudará a resolver a crise política se estiver baseado "na união e na reconciliação", que, em sua opinião, é o espírito de seus correligionários catalães.

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