Terremoto expõe antigo problema do centro da capital mexicana

Isabel Reviejo.

Cidade do México, 6 nov (EFE).- Estátuas caídas, abóbadas colapsadas e templos fechados: essas são algumas das consequências deixadas pelo poderoso terremoto que destruiu a região central da Cidade do México em 19 de setembro, colocando também em destaque um problema de afundamento pela composição do solo da região.

O tremor de magnitude 7,1 graus e outro ocorrido antes, no dia 7 de setembro, deixaram mais de 18 mil imóveis históricos e de valor cultural danificados, de acordo com o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH).

No centro histórico da capital, edifícios emblemáticos como a Catedral Metropolitana foram afetados. O tremor do dia 19 fez com uma das três estátuas da fachada principal e que representam as três virtudes teológicas - fé, esperança e caridade.

"A 'esperança' ficou em pedaços. Técnicos do INAH e da Secretaria de Cultura trabalham para fazer uma restauração total da mesma. As outras duas, criadas pelo arquiteto Manuel Tolsá, também correm risco de cair", afirmou à Agência Efe o coordenador de Monumentos Históricos do INAH, Arturo Balandrano.

Os técnicos consideram a possibilidade de retirar as duas estátuas e conservá-las no museu do templo, instalando na fachada réplicas mais leves, explicou o coordenador.

A catedral, de forma geral, não teve danos severos que comprometam sua estabilidade. No entanto, nas torres do campanário, segundo Balandrano, foram registradas fendas e fissuras. Alguns itens decorativos também se desprenderam da estrutura.

Além disso, o uso do átrio também foi restrito pela "possibilidade de cair algum fragmento de pedra", disse Balandrano.

Depois do terremoto, funcionários do INAH recomendaram às autoridades locais para reduzir as atividades que pudessem gerar vibrações na base, onde está a catedral.

No entanto, no dia 8 de outubro, o local foi palco de um megaconcerto beneficente. Depois do evento, o porta-voz da Arquidiocese do México, Hugo Valdemar, disse que a atividade tinha causado mais danos na catedral.

Outro edifício que foi afetado pelo tremor foi a Igreja de Santo Domingo, que teve que ser fechada por causa da segurança dos visitantes. Como ocorreu em outros locais, o terremoto provocou rachaduras e fissuras, que precisam ser vigiadas para monitorar o risco que podem gerar para as construções.

O solo da Cidade do México favorece que os edifícios afundem porque a capital do país foi construída sobre uma bacia que, desde a chegada dos espanhóis, já estava em um processo de dissecação.

Por isso, as autoridades consideram um "desafio" manter a estabilidade das construções do centro histórico. Balandrano diz que um exemplo dos esforços para conter o processo é a cimentação feita há alguns anos na Catedral e no Sacrário Metropolitano.

Dentro do perímetro do centro histórico, a Igreja da Nossa Senhora de Loreto e a Paróquia de Santa Catarina são as que mais apresentam danos sérios.

De acordo com a Secretaria da Cultura, a recuperação do patrimônio histórico e cultural danificado no país pelo terremoto demorará 30 meses e terá um custo de 10 bilhões de pesos (cerca de US$ 520 milhões).

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