Urgência e necessidade de ação marcam abertura da Cúpula do Clima de Bonn

Juan Palop.

Berlim, 6 nov (EFE).- A sensação de urgência e a necessidade de ação conduziram nesta segunda-feira a abertura da Cúpula do Clima de Bonn (COP23), na qual se busca articular o Acordo de Paris de 2015 para frear o aquecimento global com um esforço multinacional coordenado.

A reunião, que se prolongará até o dia 17 de novembro nessa cidade da Alemanha, tenta começar com a letra pequena do Acordo de Paris, especialmente no relativo às contribuições econômicas e ao cumprimento de objetivos, assim como lutar contra a sombra do abandono do pacto por parte dos Estados Unidos, que deixa um vazio político e um buraco financeiro.

"Já não temos o luxo do tempo. Devemos atuar agora. Aqui é onde começamos", afirmou na sessão inaugural da cúpula a secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC), a mexicana Patricia Espinosa.

Segundo sua opinião, é essencial que neste encontro sejam fixados "os compromissos financeiros e de mitigação" dos efeitos do aquecimento global, e que seja adotado um "manual de instruções" para o Acordo de Paris.

Concretamente, segundo apontaram especialistas e representantes nacionais, a reunião deve começar a esclarecer como devem ser apresentados os planos de redução de emissões de cada país para que sejam transparentes e comparáveis, e de que modo esses objetivos deverão ser revisados em alta.

Espinosa acrescentou, em entrevista coletiva, que Bonn deve ser "a plataforma de saída de um novo nível de ambição", já que as promessas de corte de emissões anunciadas até agora, inclusive se forem implementadas completamente, "não são suficientes" para limitar o aquecimento a dois graus centígrados frente aos níveis pré-industriais.

"Vamos em frente. Completemos nosso trabalho. Elevemos nossas ambições", concluiu Espinosa, que destacou que "nunca antes houve tal grau de urgência" e qualificou os últimos desastres naturais, como a série de furacões no Caribe, de "prévia do que está por vir".

Por sua parte, o presidente da COP23, o primeiro-ministro de Fiji, Frank Bainimarama, falou em "fazer todo o possível para fazer avançar" o Acordo de Paris e "elevar a ambição" com o objetivo de frear o aquecimento global.

"Se não estivermos à altura do desafio, fracassaremos", advertiu o primeiro-ministro de Fiji, uma ilha-nação no Pacífico Sul ameaçada pelo aumento do nível do mar que, por motivos logísticos, colaborou com a Alemanha para a organização do encontro.

A ministra de Meio Ambiente alemã e anfitriã da cúpula, Barbara Hendricks, alertou sobre o "ponto sem volta" do qual a humanidade se aproxima se não prestar atenção nos limites fixados em Paris.

Além disso, Bainimarama ressaltou que "a única forma de pôr seu país em primeiro é unir-se nos esforços com as demais nações", em claro referência ao lema "EUA primeiro" do presidente americano, Donald Trump.

Já o comissário europeu para Ação Climática e Energia, o espanhol Miguel Arias Cañete, indicou em comunicado que "agora é o momento ideal para traduzir a ambição em ação e acelerar a implementação".

"A COP23 será fundamental para assegurar que estejamos no caminho para alcançar nossa primeira meta: completar o programa de trabalho de Paris para 2018", acrescentou, em referência à próxima Cúpula do Clima, que será realizada em Katowice (Polônia) no final do próximo ano.

A expectativa é que dezenas de ministros e governantes como o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, se somem à reunião de Bonn a partir da quarta-feira da próxima semana, quando começarem as discussões políticas da cúpula.

O governo alemão aproveitou o início da COP23 para anunciar que destinará 100 milhões de euros a mais dos até agora comprometidos para ajudar os países em vias de desenvolvimento a lidar com as consequências da mudança climática.

A abertura da COP23 esteve precedida de várias manifestações e ações de protesto na antiga capital federal alemã e seus arredores, algumas com dezenas de milhares de participantes, entre as quais se destacou ontem o bloqueio de uma mina ao ar livre que queria exigir o fim da utilização do carvão.

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