Ministro de Energia da Argentino é citado no caso Paradise Papers

Buenos Aires, 7 nov (EFE).- O ministro de Energia da Argentina, Juan José Aranguren, fez parte das diretorias de pelo menos duas empresas offshore, segundo o jornal "La Nación", que faz parte da investigação internacional batizada como Paradise Papers.

O jornal explica que Aranguren foi diretor da Shell Western Supply and Trading Ltd. em 2003, uma subsidiária com sede em Barbados que a petrolífera anglo-holandesa Royal Dutch Shell utiliza para suas operações na América Latina.

Segundo o "La Nación", o ministro ocupou o cargo apenas cinco meses, quando renunciou para assumir como presidente da filial da Shell na Argentina. Aranguren deixou o novo posto apenas em 2015, quando foi nomeado ministro pelo presidente Mauricio Macri.

Além disso, o "La Nación" revela que Aranguren foi em 1996 diretor da Sol Antilles and Guianas Ltda. O ministro, no entanto, nega ter feito parte dessa empresa.

"Anos depois, quando já tinha assumido como ministro de Energia, uma dessas empresas ganhou 13 licitações para fornecer 650 metros cúbicos de gasóleo ao governo em 2016. A companhia faturou US$ 240 milhões com as licitações", afirmou o jornal argentino.

Em setembro de 2016, poucos meses depois de chegar ao Ministério de Energia, Aranguren vendeu suas ações da Shell por recomendação do Escritório Anticorrupção, que o alertou para um possível conflito de interesses no futuro. O ministro já tinha se envolvido em um escândalo por causa desses papéis, avaliados em US$ 906 mil.

O Escritório Anticorrupção ressaltou na época que, embora a lei não proíba a posse de ações de empresas que operam no setor no qual o servidor atua e o obriga que ele se abstenha de intervir nas questões relacionadas com tais ativos, as circunstâncias do caso faziam com que a solução prevista pela lei fosse insuficiente.

No domingo, o ministro de Finanças da Argentina, Luis Caputo, já tinha sido citado no Paradise Papers. Ele foi administrador de um fundo de investimentos radicado em Miami, com ramificações em Delaware e nas Ilhas Cayman, dois paraísos fiscais.

Além disso, os documentos mostram que Caputo foi gerente do fundo de investimento de alto risco Noctua, que controlava mais de US$ 100 milhões em ativos em países emergentes.

O ministro de Justiça da Argentina, Germán Garavano, saiu em defesa dos companheiros de governo, disse que as informações divulgadas até agora são "parciais" e que citam atividades realizadas por Caputo e Aranguren antes de integrarem o Executivo.

"Essas informações são preliminares. Temos que esperar as informações completas e certamente o caso será judicializado, como tudo na Argentina. Haverá oportunidade que ele seja analisado por um juiz", afirmou Garavano.

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