Puigdemont diz que está preparado para ser extraditado à Espanha e preso

(Atualiza com mais declarações).

Barcelona (Espanha), 7 nov (EFE).- O ex-presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, garantiu nesta terça-feira que está "preparado" para ser extraditado à Espanha e que tem consciência de que tanto ele como os quatro ex-conselheiros do seu Executivo foragidos na Bélgica podem "terminar em prisões espanholas".

"Em nenhum momento fugimos de qualquer responsabilidade", disse Puigdemont em entrevista à emissora "Catalunya Radio" na Bélgica, na qual ressaltou que ele e os ex-conselheiros se apresentaram "voluntariamente à Justiça belga" após o mandato de detenção europeu ditado pela Justiça espanhola.

Em 30 de outubro, veio à tona a informação de que Puigdemont e quatro integrantes do seu antigo governo estavam na Bélgica, horas depois que o procurador-geral do Estado espanhol, José Manuel Maza, apresentou uma denúncia contra eles por rebelião, insurreição e desvio de recursos públicos.

Segundo o ex-presidente catalão, sua ida à Bélgica responde a uma estratégia de "internacionalizar ao máximo o que está acontecendo" na Catalunha, uma causa que - segundo ele - é "de direitos humanos e de democracia" e que "abre uma brecha que pode ajudar" seus companheiros presos na Espanha.

"Trata-se de poder administrar da melhor maneira possível a defesa de nossos direitos, não os individuais, mas do governo da Catalunha", considerou Puigdemont.

"Tudo isto acabará nos tribunais internacionais, recorreremos a eles, chegaremos até o fim e o Estado espanhol passará vergonha", previu o ex-presidente catalão, que também ressaltou: "viemos ao coração da Europa, temos nos dirigido ao mundo, e o mundo está ouvindo".

O político catalão explicou também que seu governo não implementou a declaração de independência e não tornou efetiva a proclamação da autodenominada "república catalã" devido ao temor de que a resposta do Estado espanhol pudesse provocar "uma onda de violência desmedida".

Puigdemont frisou que o problema de fundo é que há "um Estado que sabe que só pode vencer à margem da democracia, porque, através da democracia, nós (os catalães) ganhamos sempre".

Além disso, o ex-presidente catalão reivindicou a necessidade de uma lista única do independentismo catalão para conseguir a vitória nas eleições regionais de 21 de dezembro, a fim de rejeitar a aplicação do artigo 155 da Constituição, pelo qual ele e seu governo foram destituídos pelo Executivo de Madri.

Só assim, segundo Puigdemont, será possível "recuperar a democracia".

O Executivo espanhol, presidido por Mariano Rajoy, decidiu aplicar esse artigo constitucional, que destituiu Puigdemont e todo o seu governo, limitou as funções do parlamento catalão e convocou eleições regionais, com o objetivo de conter o processo separatista na Catalunha.

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