Xi Jiping recebe Trump em encontro de potências globais

Rafael Cañas

Pequim, 7 nov (EFE).- Um Xi Jiping "mais forte" após o recente Congresso do Partido Comunista da China recebe, na quarta-feira, um Donald Trump debilitado em nível interno em um encontro de potências globais marcado pelas diferenças sobre a Coreia do Norte e a economia.

O presidente americano chega amanhã a Pequim para a terceira escala de sua excursão asiática, parada que deve ser mais complicada após encontros muito bons com aliados próximos como Japão e Coréia do Sul.

A tensão em torno da Coreia do Norte e as disputas econômicas de Washington com Pequim (forte desequilíbrio comercial, limites estritos em investimentos e em acesso ao mercado no gigante asiático) protagonizarão as conversas entre ambos presidentes.

A China procura evitar ao máximo conflitos e disputas, sob a máxima de que as duas maiores potências mundiais podem conseguir muito mais cooperando, por isso que Pequim insistirá em manter a boa harmonia acima das diferenças.

"Temos um amplo interesse comum na estabilidade e na promoção da prosperidade em nível global", resumiu hoje uma porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Hua Chunying.

A visita "é uma oportunidade importante" para a relação bilateral e permitirá "desenhar um plano de ação para seu desenvolvimento" futuro, afirmou o vice-ministro de Relações Exteriores para América do Norte, Zheng Zeguang, em declarações a um grupo de jornalistas, destacando a boa sintonia entre ambos líderes.

Após a campanha eleitoral agressiva contra a China, Trump moderou o discurso ao chegar à Casa Branca.

Mas também advertiu na segunda-feira no Japão que o comércio entre os EUA e a China deve ser "justo" e "recíproco" depois de "décadas nas quais as relações comerciais foram muito injustas".

Em Pequim é reconhecido o enorme superávit comercial com os Estados Unidos, mas a China pede para olhar para o conjunto da imagem, com uma divisão do trabalho entre países para a fabricação de produtos de diferentes níveis.

Além disso, a China antecipa que nesta visita haverá importantes acordos comerciais que poderão acalmar Washington.

Zheng também destacou o forte aumento das importações chinesas nos últimos anos, que vão aumentar ainda mais em breve conforme cresce a classe média do gigante asiático, assim como o fato de a China já gerar mais investimentos exteriores do que os que recebe.

Sobre a Coreia do Norte, a China procura que Washigton continue seguindo a via estritamente diplomática, explicou em declarações à Agência Efe Shen Yamei, diretora adjunta do Centro dos EUA no Instituto Chinês de Estudos Internacionais, em Pequim.

Neste sentido, Shen considera que seria "importante" se Xi e Trump acordassem dar "um maior impulso" à busca de uma solução política e dialogada.

Para esta analista chinesa, se os EUA procuram a via da negociação, "suas ações devem seguir suas palavras", em referência aos seus três grupos navais que realizarão exercícios militares nos próximos dias em águas do Oceano Pacífico.

Pequim e Washington têm "um interesse comum em manter a paz na região", já que a via militar "só causará desastres", insistiu o vice-ministro Zheng.

Ambos presidentes chegam a esta reunião em circunstâncias muito diferentes. Esta é a primeira visita de estado após o XIX Congresso do Partido Comunista da China, que deixou Xi muito reforçado e a nível dos grandes líderes comunistas nacionais, como Mao Zedong e Deng Xiaoping.

Por outro lado, Trump vê sua popularidade ao nível mais baixo desde que chegou à Casa Branca e a Administração muito afetada por contínuos escândalos, desde os vínculos russos de sua campanha até as últimas revelações sobre paraísos fiscais que envolvem duas pessoas de sua confiança: o secretário de Comércio, Wilbur Ross, e seu genro e assessor, Jared Kushner.

"A situação doméstica é certamente importante para as políticas de ambos no âmbito global", apontou Shen.

Além das diferenças, a parte chinesa insistiu em seu objetivo de manter o tom positivo com o qual a relação pessoal entre Trump e Xi começou em abril, em Mar-a-lago (Flórida).

Em nível pessoal, Pequim se eesforçou para devolver a "quente hospitalidade" que Xi e sua esposa Peng Liyuan receberam na Flórida.

Assim, na tarde de quarta-feira, os casais visitarão a Cidade Proibida e jantarão a sós.

Pequim dará a Trump o tratamento mais solene às visitas de estado, com uma cerimônia de boas-vindas no Grande Palácio do Povo, uma reunião oficial com Xi e um jantar de gala.

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