Em liberdade condicional, ativista chinês Yang Tongyan morre aos 56 anos

Pequim, 8 nov (EFE).- O ativista e escritor chinês Yang Tongyan morreu nesta quarta-feira aos 56 anos em consequência de um câncer após ter passado mais de 20 anos na prisão por suas críticas ao Governo chinês, informou a Anistia Internacional (AI).

"Yang Tongyan foi um triunfador pacífico dos direitos humanos e da democracia, que fez um grande sacrifício pessoal para se manter fiel aos seus princípios", destacou em comunicado o diretor da AI para a Ásia Oriental, Nicholas Bequelin.

"As autoridades temiam o poder de suas palavras e fizeram o possível para silenciá-lo. Nunca deveria ter passado um só dia na prisão e muito menos quase metade de sua vida", acrescentou.

Yang Tongyan, também conhecido como Yang Tianshui, foi posto em liberdade condicional em agosto deste ano para passar por uma cirurgia por conta de um tumor cerebral.

Em 2006, foi condenado a 12 anos de prisão por publicar conteúdos críticos ao Governo, e anteriormente já tinha cumprido outra sentença de dez anos de prisão por criticar a repressão durante o massacre de Tiananmen em 1989, quando acredita-se que morreram milhares de pessoas, embora o número de mortos continue sendo um segredo de estado.

"A morte de outro detido chinês sob liberdade condicional médica é alarmante. Em muitos casos, os ativistas presos gravemente doentes conseguem a liberdade condicional tardia e os desejos de suas famílias de receber tratamento fora da prisão ou no exterior são ignorados", denunciou a AI.

Nos últimos anos, organizações internacionais denunciaram os casos de ativistas e críticos que faleceram sob detenção na China.

Em 13 de julho, o dissidente e Nobel da Paz Liu Xiaobo morreu sob custódia, e não foi libertado apesar de padecer de um câncer terminal, o que provocou várias críticas da comunidade internacional.

"A AI considera que Yang Tongyan, Liu Xiaobo e Cao Shunli (dissidente que morreu quando estava detida após ter a assistência médica negada) são presos de consciência, detidos unicamente por exercer pacificamente seus direitos humanos", disse a organização. EFE

jem/ff

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