Governo questiona indícios que apontam que Rajoy recebeu salários extras

Madri, 8 nov (EFE).- O ministro espanhol de Justiça, Rafael Catalá, duvidou nesta quarta-feira da declaração dada por um alto comandante da Guarda Civil, que afirmou no Parlamento que há indícios de que o presidente do Governo, Mariano Rajoy, recebeu salários extras de uma conta paralela e opaca de seu partido (PP, centro-direita).

O inspetor-chefe da Unidade de Crimes Financeiros (Udef) da Guarda Civil, Manuel Morocho, fez essa revelação na segunda-feira no Parlamento.

Morocho disse que a estrutura do PP "respondia ao perfil de uma organização delitiva" por suas operações na trama Gürtel, referente à suposta corrupção mediante contratos arrumados de empresários e pessoas vinculadas a esse partido.

Na comissão que investiga o financiamento do PP, o inspetor Morocho confirmou que há indícios de repartição de salários extras a altos dirigentes do partido durante anos, entre eles Rajoy, que foi vice-secretário-geral antes de ser presidente dessa formação.

O tema voltou hoje ao Parlamento durante a sessão do Executivo, na qual Rafael Catalá, ministro de Justiça, disse que "será preciso ver qual o valor da declaração" do responsável da Udef.

Rafael Catalá afirmou que com relação à trama Gürtel, o PP é acusado de ser participante lucrativo, o que significa que se desconhece que se cometeu um crime.

"Esse só tem uma responsabilidade civil e não penal, por isso meçam bem as conclusões porque é bom esperar uma sentença", disse aos congressistas antes de acrescentar que "ninguém deve usurpar a função correspondente somente a juízes e tribunais e não aos deputados".

Catalá foi questionado pela porta-voz da coalizão de esquerda Unidos Podemos, Irene Montero, que disse que essa trama "criminosa" atentou contra o Estado de direito e terá uma custosa reparação social.

"Sabe como se chama quem rouba, embora se envolva na bandeira da Espanha? Ladrões", afirmou a deputada do Podemos antes de exigir ao PP que devolva os mais de 1 bilhão de euros que - disse - roubaram e que "peça perdão aos espanhóis por ter convertido a corrupção em uma formação de Governo".

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