Promotor argentino pede que morte de Nisman seja tratada como "assassinato"

Buenos Aires, 8 nov (EFE).- O promotor encarregado de investigar a morte em 2015 de seu colega Alberto Nisman pediu nesta quarta-feira que seja convocado para prestar depoimento como investigado o técnico informático Diego Lagomarsino, que lhe emprestou a arma que o matou, e solicitou que a causa seja apresentada como "assassinato" e não como "morte duvidosa".

Eduardo Taiano reivindicou estas medidas em uma extensa resolução entregue ao juiz do caso, Julián Ercolini, depois que um relatório elaborado por especialistas policiais e peritos estabelecesse em setembro que duas pessoas bateram, drogaram com cetamina e assassinaram Nisman em janeiro de 2015 em seu apartamento de Buenos Aires.

"Eu pedi, de acordo com a sentença da junta (de peritos), que Lagomarsino seja indagado como partícipe primário do homicídio de Nisman, porque foi quem forneceu a arma", afirmou Taiano à Agência Efe.

Dias antes da sua morte, Nisman tinha denunciado à então presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e outros membros do seu governo, por suposto acobertamento dos iranianos acusados do atentado contra a associação mutual judaica Amia de Buenos Aires em 1994, que deixou 85 mortos.

Até o momento, na causa, que neste período sofreu constantes reviravoltas judiciais, inclusive acusações de contaminação da cena do crime e o afastamento da primeira promotora designada para caso, o técnico informático é o único indiciado.

Lagomarsino foi acusado de emprestar a Nisman a arma que acabou com sua vida, o que - segundo assegura - foi um pedido do próprio promotor para proteger suas filhas.

No entanto, Lagomarsino não foi investigado por assassinato, mas por uma "morte duvidosa", que é como se definiu a causa desde o princípio, apesar de ter sido impossível determinar se foi um suicídio, um homicídio ou um suicídio induzido.

Assim, com base nas novas provas, Taiano pediu hoje que se mude o nome do expediente e que a morte de Nisman seja investigada como um caso de homicídio.

A defesa de Lagomarsino já tinha solicitado a nulidade do relatório pericial que apoia a hipótese que não foi um suicídio, ao questionar, entre outras coisas, o horário da morte do promotor e a presença de cetamina no seu corpo, uma apelação que foi rejeitada por Ercolini.

O técnico informático, cuja figura é muito criticada pela família de Nisman, mantinha uma estreita relação com o promotor - com quem se descobriu que tinha uma conta bancária nos Estados Unidos -, e já tinha apresentado um recurso judicial contra a formação da junta pericial, que acabou sendo rejeitado.

O falecido promotor acreditava que a assinatura de um memorando de entendimento entre Argentina e Irã em 2013 que buscava uma colaboração para esclarecer o ataque à Amia, que também segue impune, representa na realidade um pacto para encobrir os supostos terroristas a fim de favorecer o intercâmbio comercial, algo que a ex-governante sempre negou.

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