Vice-presidente cassado do Zimbabué foge do país após ameaças de morte

Harare, 8 nov (EFE).- O ex-vice-presidente do Zimbabué Emmerson Mnangagwa, que foi cassado ontem por "deslealdade" ao presidente Robert Mugabe, anunciou nesta quarta-feira que fugiu do país depois de receber ameaças de morte, informaram veículos de imprensa locais.

Em comunicado, Mnangagwa afirma que sua "saída repentina" do Zimbabué se deve a "incessantes ameaças" contra ele e sua família, e diz aos seus seguidores que está "são e salvo", para conter os rumores sobre o seu paradeiro.

O ex-vice-presidente, que se postulou como um dos possíveis candidatos a suceder o veterano Mugabe, de 93 anos, anunciou que está disposto a voltar para dirigir o partido do presidente, a União Nacional Africana do Zimbabue-Frente Patriótico (ZANU-PF).

Mnangagwa, aliado próximo de Mugabe desde a guerra da independência na década de 1970, criticou duramente o presidente e a primeira-dama, Grace Mugabe, em um encontro com militantes na última quinta-feira, no qual denunciou que ambos "privatizaram e comercializaram a nossa amada instituição".

"O partido agora é controlado por insignificantes indisciplinados, egoístas e interesseiros, cujo poder não é do povo, mas do casal presidencial", disse Mnangagwa sobre a crescente influência de Grace Mugabe, que segundo analistas ocupará a vice-presidência.

Em um comício hoje na capital, Harare, o presidente Mugabe qualificou Mnangagwa de "anormal" e afirmou que o ex-vice-presidente não tem a disciplina necessária para ser um líder.

Além disso, Mugabe comparou sua cassação à de sua predecessora no cargo, Joice Mujuru, que deixou a vice-presidência em 2014 depois de organizar um suposto golpe contra o presidente e, assim como Mnangagwa, foi acusada de ter consultado xamãs sobre a morte do chefe de Estado.

Robert Mugabe, de 93 anos, que governa o Zimbábue desde 1980, anunciou que tentará se reeleger em 2018, embora alguns membros o alto escalão do seu partido tenham demonstrado interesse em substituí-lo no poder, algo que causou atritos dentro da legenda.

Os analistas apontam a primeira-dama, de 62 anos e casada com o presidente em 1996, como uma das principais candidatas a sucedê-lo na presidência.

A ala feminina do ZANU-PF fez campanha nas últimas semanas para que uma mulher seja nomeada vice-presidente do país, enquanto a juventude do partido foi mais explícita e apoiou diretamente a indicação de Grace Mugabe para o cargo.

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