Xi Jinping oferece recepção imperial a Trump em sua primeira viagem à China

Antonio Broto.

Pequim, 8 nov (EFE).- Os presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, comprovaram nesta quarta-feira no antigo palácio imperial de Pequim o bom momento das relações entre as duas grandes potências, no primeiro dia de visita do governante americano.

Xi foi recebido por Trump em abril deste ano em sua luxuosa mansão de Mar-a-Lago, na Flórida, e o protocolo do país asiático entendeu que para igualar o gesto era preciso um cenário não menos régio; portanto, Xi deu as boas-vindas ao seu homólogo americano na Cidade Proibida, algo muito pouco habitual.

Pouco depois de o Air Force One chegar ao aeroporto de Pequim procedente da base aérea sul-coreana de Osan, Trump e sua esposa Melania subiram no Cadillac presidencial blindado e seguiram para o palácio acompanhados por uma comitiva de quase 100 veículos.

Neste monumento do século XV, situado justo ao norte da Praça da Paz Celestial e que serviu até 1911 de residência e centro do governo dos imperadores Ming e Qing, Xi e sua esposa, Peng Liyuan, uma famosa soprano em seu país, receberam os Trump na entrada do Salão dos Tesouros.

Em seguida, os dois líderes e suas esposas tomaram uma tradicional xícara de chá, em um ato mais relaxado com o sóbrio e elegante fundo de uma aquarela chinesa, sentados os quatro em antigos móveis de design oriental.

Trump mostrou a Xi, com seu telefone celular, um vídeo da sua neta Arabella recitando em chinês (desta vez a filha de Ivanka Trump não pode fazê-lo pessoalmente, como há seis meses em Mar-a-Lago) e o líder asiático comentou que a menina já era famosa na China e merecia a nota máxima dos seus professores por seu domínio do mandarim.

Após o chá, os dois casais percorreram diversas dependências da Cidade Proibida, um monumento de 9.999 quartos, segundo a lenda, que a cada dia é visitada por dezenas de milhares de turistas, mas que estava vazio para a ocasião por motivos de segurança.

Melania passou alguns apuros para caminhar pelos paralelepípedos dos imensos pátios interiores do palácio com seus saltos altos de agulha, mas se saiu pior ainda um fotógrafo da comitiva, que tropeçou e quebrou os óculos e a câmera.

Os quatro também visitaram o Laboratório de Conservação Científica do palácio, onde puderam conhecer o trabalho de restauradores das antigas relíquias palacianas.

Mais tarde, no chamado Salão do Cultivo Mental, os presidentes e as primeiras-damas assistiram a um espetáculo de ópera tradicional chinesa, onde Trump desfrutou especialmente de uma sequência acrobática de "O Rei Macaco", uma das mais famosas obras desta arte cênica.

Os anfitriões e convidados posaram com os atores antes do jantar de gala que, também em um ambiente íntimo, Xi ofereceu a Trump, no final de um primeiro dia mais destinado a tecer laços de amizade pessoal que a tratar temas espinhosos, como a crise da Coreia do Norte ou o déficit comercial, assuntos que abordarão amanhã.

A recepção familiar de Xi e sua esposa ao casal Trump é pouco habitual em visitas de Estado na China, já que tradicionalmente os líderes estrangeiros se encontram com o presidente chinês e a primeira-dama em um recinto de ares comunistas e de protocolo mais estrito, o Grande Palácio do Povo, sede do Legislativo.

Xi e Trump, em todo caso, se encontrarão ali amanhã, na reunião de trabalho que terão as duas delegações, onde espera-se que China e EUA assinem importantes acordos comerciais.

Como aperitivo, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, e o vice-primeiro-ministro para Comércio chinês, Wang Yang, assinaram hoje cerca de 20 acordos empresariais no valor de US$ 9 bilhões no Grande Palácio do Povo.

Tais acordos cobriram setores como biotecnologia, aviação e inteligência artificial, segundo detalharam na entrevista coletiva posterior.

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