Em tom amistoso, Trump fala com Xi sobre déficit comercial e Coreia do Norte

Rafael Cañas

Pequim, 9 nov (EFE).- A relação entre China e Estados Unidos entrou nesta quinta-feira em uma fase de maior cooperação global entre as duas maiores potências mundiais, em uma cúpula de presidentes marcada pelo tom amistoso e com Donald Trump moderando suas tradicionais críticas a Pequim por conta da Coreia do Norte e do déficit comercial.

Os presidentes chinês, Xi Jiping, e o americano, Donald Trump, chegaram hoje a um entendimento em nível nacional, mas também pessoal, em uma cúpula que ressaltou ainda mais o objetivo de Pequim e Washington de aumentar a colaboração na resolução dos problemas globais.

"Não pode haver um assunto mais importante que a relação entre China e EUA", afirmou Trump em um comparecimento no Grande Palácio do Povo, após uma reunião bilateral de duas fases, uma cúpula empresarial e a leitura de comunicados perante a imprensa.

Enquanto Trump insistiu que ambas potências podem solucionar conjuntamente "os problemas mundiais", Xi disse que "para a China e os Estados Unidos a cooperação é a única opção viável", um processo além disso importante "para a paz, a estabilidade e a prosperidade do mundo".

Apesar da troca de elogios em nível pessoal e nacional, o americano não perdeu a chance de pressionar Pequim pela crise das armas nucleares da Coreia do Norte, ao assegurar que a China "pode solucionar facilmente e rapidamente" a questão.

Trump não questinou como Pequim pode pôr fim a esta longa crise, mas pediu que Xi trabalhe "muito intensamente", sem deixar de agradecer as últimas sanções econômicas chinesas a Pyongyang dentro das resoluções das Nações Unidas.

Por sua vez, o presidente da China destacou que Pequim e Washington "estão comprometidos" com o objetivo final da desnuclearização da península coreana e buscarão uma solução por meio de "discussões pacíficas".

Trump manteve a tradição de não ficar calado em temas que lhe interessam, e deixou bem claro seu objetivo de modificar os parâmetros do comércio entre EUA e China, com um enorme superávit a favor da potência asiática (US$ 233 bilhões só nos dez primeiros meses deste ano).

Trump se queixou das políticas restritivas de Pequim e de como obriga empresas estrangeiras a transferir tecnologia ao seu território como condição para investir, mas não responsabilizou a China, mas sim as "passadas administrações" em Washington "que permitiram que o desequilíbrio chegasse tão longe".

Xi apontou que a economia chinesa seguirá se abrindo e oferecendo "portas abertas" às empresas estrangeiras, enquanto as empresas de seu país investem cada vez mais no exterior.

Além disso, ambos presidentes reiteraram o compromisso de aumentar a cooperação na cena global, assim como nos contatos bilaterais, por exemplo em nível militar.

Trump mencionou concretamente a luta contra o uso ilegal do fentanil, um remédio opióide cujo uso indevido está causando um importante aumento de mortes por overdose no mundo todo, especialmente nos EUA.

A visita de Estado de hoje, continuação dos eventos privados de ontem, selou, além disso, a boa sintonia entre ambos.

Trump confessou seu profundo respeito pelo colega chinês. "Há uma grande química", afirmou.

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