EUA impedem consenso sobre protecionismo e livre-comércio no APEC

Jordi Calvet.

Danang (Vietnã), 9 nov (EFE).- Os Estados Unidos impediram o consenso no Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) em Danang, no Vietnã, ao mostrarem seu desacordo com o texto redigido em uma declaração ministerial sobre protecionismo e livre-comércio.

A divergência surgiu na reunião de ministros de Comércio e Relações Exteriores das 21 economias do APEC que aconteceu ontem e que teve que prolongar-se até hoje para tentar chegar a um acordo.

Fontes conhecedoras das negociações indicaram à Agência Efe que a delegação americana criticou a forma como a declaração final fazia referência ao protecionismo e ao livre-comércio.

"É sobre a declaração final e a linguagem desta declaração e o desacordo por parte dos EUA", afirmaram as fontes.

"É uma situação de 20 a 1 (...) O APEC é uma organização baseada no consenso. Se não se pode conseguir consenso, não há declaração", acrescentaram as fontes, que esclareceram que o desencontro afeta também à declaração final da cúpula de chefes de Estado e de governo.

A chegada em janeiro de Donald Trump à Casa Branca mudou a atitude de Washington em relação ao livre-comércio, com a adoção de uma agenda mais orientada ao protecionismo, que toma distância dos acordos multilaterais e aposta nos pactos bilaterais.

Na presidência, Trump retirou os EUA do Tratado Transpacífico (TTP) e do Acordo do Clima de Paris e forçou a renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), em vigor desde 1994 com México e Canadá.

O desacordo em Danang obrigou a atrasar, e finalmente adiar, uma entrevista coletiva que deviam oferecer ontem à noite os ministros de Comércio e Relações Exteriores vietnamitas, os anfitriões das reuniões nesta cidade litorânea da região central do Vietnã.

Ambos falaram hoje à tarde para explicar o "grande êxito" do encontro ministerial que, segundo disseram, conseguiu finalizar todos os documentos que receberão os líderes do APEC, apesar de terem admitido que houve divergências.

"Na reunião havia diferentes pontos de vista, mas fomos capazes de concluir com muito bom resultado", disse o ministro de Comércio vietnamita, Tran Tuan Anh.

"Houve um alto nível de consenso apesar das diferenças de interesses entre os ministros sobre a avaliação dos objetivos a seguir que serão apresentados aos líderes", acrescentou Anh, após alertar do risco representado pelo protecionismo.

A fonte conhecedora das negociações disse que os ministros "passaram a bola para cima", em alusão aos líderes do APEC, e que isso permitiu fechar um acordo sobre o resto dos assuntos enquanto continuam as conversas.

O APEC terminou a cúpula do ano passado com uma chamada de atenção sobre o risco de cair no protecionismo e uma defesa da integração econômica, na última participação de Barack Obama no fórum dias depois que Trump havia vencido as eleições.

A reunião multilateral de Danang não é a primeira onde o giro imposto por Trump gera divergências e rompe o consenso.

Uma situação parecida ocorreu na última cúpula do G20 em Hamburgo, onde os EUA criticaram a inclusão no comunicado final de uma referência à "rápida" implementação do Acordo de Paris contra a mudança climática.

As negociações entre chanceleres e ministros de Comércio aconteceram enquanto segue o diálogo de líderes políticos e econômicos do APEC, que se iniciou ontem e durará até amanhã.

É neste fórum que participarão os chefes de Estado e de governo das 21 economias do APEC, a maioria dos quais chegaram hoje a Danang, enquanto Trump, de visita na China, chega amanhã.

Na sexta-feira está previsto o discurso, além de Trump, dos outros líderes das principais economias do grupo, incluindo os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro de Japão, Shinzo Abe.

O APEC está formado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, a Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Taipé, Tailândia e Vietnã.

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